sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A complexidade do mundo beirando o colapso

Livro de John Casti
Existe um programa no canal National Geographic chamado Preparados para o fim, que mostra pessoas que acreditam que estamos a beira de um colapso, e estão se preparando para viverem mesmo que a sociedade moderna não resista. Acredito que boa parte da audiência assista pela curiosidade de ver alguns birutas acumulando água e armas, e devem achar esse povo igual a de outros programas toscos curiosos, como os acumuladores, ou tabu.
Porém se você ler esse livro do economista John Casti, "O colapso de tudo", vai ver que existe uma ponta de razão para se preocupar.
O livro mostra 11 eventos X que podem transformar o mundo moderno em pouco tempo (meses ou mesmo dias). Alguns são bem abordados, como a questão do colapso do abastecimento de água e comida; outros são passados tão por cima que talvez nem valessem a menção, como o fim do capitalismo e a poluição das nanopartículas.
O fato do autor ser um economista tem pontos negativos e positivos. Negativo primeiramente porque em certas partes do livro (principalmente a parte I e III) o blábláblá economicês cansa o leitor. Casti tenta pintar toda a base do cenário para as catástrofes, mas em geral deixa é o leitor frustrado recebendo uma aula de economia quando na verdade ele queria era ver um filme catástrofe. Porém como ponto positivo está a análise dele de que a complexidade mundial e o emaranhando de sistemas são nosso maior problema.

Tudo junto e misturado

Para almoçar, sua comida foi feita com ingredientes que vieram de vários locais diferentes, alguns de outros continentes, inclusive. Todo esse transporte precisou de combustível fóssil. A água usada no preparo da comida, nas grandes metrópoles, vem de reservatórios muito distantes, e é bombeada usando energia elétrica. Essa energia é gerada em termoelétricas (combustível fóssil), hidrelétricas (passando por longas torres de transmissão), e pouca coisa é gerada via ventos ou sol. Toda essa distância necessita de comunicação, feita através de redes computadorizadas, criadas com computadores montados com elementos tão distintos (ouro, cobre, tálio, silício, lítio, índio, estanho) que seria impossível fabricá-los usando matéria prima puramente local. Nessas redes já não correm mais só informações, mas sim nosso dinheiro, mantendo em um equilíbrio pouco estável toda a economia de todos os países. Tudo isso, trabalhando em conjunto como peças de um dominó. Tão próximas e tão interligadas que já não se sabe onde começa e onde termina um processo. Tão complexas.
Basta um evento X para que todos nossos sistemas colapsem
Olhando o mundo assim há de se dar razão aos lelés sábios personagens do programa sobre catástrofes. Irracional somos nós, que individualmente não nos alertamos que não sabemos plantar nada, não sabemos encontrar água, não estamos preparados para coletar energia da natureza, nem temos meios de garantir nossa segurança, comércio e comunicação senão através do emaranhado de sistemas da vida moderna.

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