sexta-feira, 7 de junho de 2013

Seca e tecnologia

Indícios meteorológicos de 2012/2013 indicam que o nordeste brasileiro irá enfrentar uma das maiores secas que já viu. A estação de chuvas de 2013 já passou, e o cenário já é ruim: Plantações perdidas, gado morrendo de sede e fome por falta de pasto, e aumento de índice de suicídios (informação que não é repassada pelo governo estadual, mas é verídica). Agora que o segundo semestre se aproxima, o cenário só tende a piorar.
O mais ridículo nessa história toda é que o problema é mais antigo que o Brasil. Ainda na época de colônia já havia a necessidade de obras contra a seca. Um exemplo é o açude do Cedro, ordenado por Dom Pedro II, e construído entre 1890 e 1906. Então nos vêm uma questão: Será que com mais de 150 anos de luta contra a seca, ela continua ganhando?

Indústria da seca

O que uma grande maioria talvez não saiba é que, para políticos corruptos, quando uma região sofre calamidades, isso gera ajuda financeira que beneficia esses grupos. Em calamidades, recursos são liberados mais rapidamente, os controles destes são mais frouxos, e há muito mais chance de você "ganhar seu quinhão" no bolo. Obviamente esse 'todo mundo' não inclui o sertanejo que sofre da seca.
A ajuda que chega também não serve de muito. São carros-pipa carregados de água para subsistência da população, mas que não dá para irrigar nada, nem dá para manter animais de criação. Ou são sementes subsidiadas para plantio, mas que não irão render nada, já que no atual cenário não adianta plantar: Os indícios mostram que sem um plano a longo prazo de irrigação, tudo que plantar morrerá.

Achando água em Marte no Sertão

A seca é o tipo de problema que tem alguém que ganha com ele. Contra esses problemas a iniciativa pública é ineficiente. Mas tecnologia e educação aplicadas diretamente pela população pode mudar o cenário. Tecnologias livres podem encontrar o seu papel na luta contra a seca. E não estou falando em computadores com linux em telecentros. Isso é idiotice e não adianta de nada! Estou falando em utilizar várias características do próprio sertão para lutar contra a seca.
Um exemplo é o Sol. O sertão tem sol o ano todo, e sua trajetória no céu é bastante estável, dada a proximidade com o equador. Significa que energia não deveria ser problema. E não estou só falando em paineis solares fotovoltáticos bombeando água de poços (que são uma boa ideia), mas em utilizar a luz solar para destilar água salobra desses poços (um problema muito comum na região).
Enfim, que tecnologias devem ser desenvolvidas para que tenhamos água no sertão? Estamos precisando mais de água aqui do que em Marte, por enquanto.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

DIY ou Faça você mesmo!

Outro dia vi um blog de um cara que fez na garagem de casa um carro esporte (link aqui). E nem era um carro simples, ou elétrico, e sim um putcha roadster que rivaliza com porsches e ferraris! Quanto mais eu via as fotos, mais eu pensava: -Deve ser muito tempo livre! O tal carro foi feito com peças de sucata (!?) e vai de zero a 100 em 6,5 segundos. Uma versão nacional de um carro caseiro recentemente também saiu nos jornais. É o Caveirão, feito pelo agricultor Areudo Rodrigues (link aqui). Feito de madeira e sucata (plausível!), ele não alcança 100km/h porque usa motor de motocicleta.
Carros caseiros. O americano Ariel Atom, e o cearense Caveirão.
Os projetos tem suas diferenças são muito diferentes, mas ambos trazem um ponto inicial muito forte: A capacidade de criar com as próprias mãos. Eu sei que a versão brasileira parece um brinquedo, comparando as fotos. Mas o Areudo está de parabéns, por ter tirado a bunda da cadeira e ter tido a coragem de terminar seu feito.

"Sem saber que era impossível, foi lá e fez"

Uma impressão que tenho desse novo milênio é que cada vez temos mais tecnologia e cada vez menos fazemos nossas próprias coisas. É até irônico ver o que ocorreu com a computação: Antigamente existiam pouquíssimos computadores, e todos os usuários sabiam programar (ou pelo menos entravam em contato com o código-fonte dos programas). Hoje os computadores invadiram todos os cantos possíveis, chegando a ser comum uma casa ter um computador por habitante (ou até mais). Mas esses computadores estão todos servindo de acesso ao Facebook, e uma parcela mínima ínfima programa suas próprias soluções. 
Não precisa ir muito longe para constatar isso. Qual mãe nos dias de hoje faz o bolo de aniversário do filho? Nenhuma! Ninguém faz nada! Compra-se tudo pronto! Ora... poucos hoje em dia se propõem a instalar um player de blu-ray, quiçá instalar um chuveiro elétrico. Estamos dia a dia perdendo a capacidade que garantiu anos de evolução: A capacidade de criar nossas ferramentas