terça-feira, 28 de maio de 2013

Revolução digital

Revolução Francesa, feita de pólvora e povo
Entre alguns amigos meus era recorrente uma conversa sobre quando irá ocorrer o colapso do capitalismo. Sim, ele é certo e iminente, porém essa data vem sendo postergada ano a ano, dada as estratégias para contenção do povo implementadas por esse ser sem forma porém consciente: O Capital. Entre essas estratégias vale tudo, desde pão e circo até a novíssima economia solidária (que nada mais é do que pegar peças que estão fora da máquina e encaixar de volta).
Bem ou mal, uma revolução nos espera. E muitos acham que ela será feita de pessoas oprimidas, com armas, lutando para terem de volta o que é de direito. A arma seria um componente importante da revolução. Porém que armas são mais eficazes para uma revolução?

Atualidade

Revolução: "movimento de revolta contra um poder estabelecido, e que visa promover mudanças profundas nas instituições políticas, econômicas, culturais e morais". Contudo essa revolução não precisa ser rápida, imediata. Revoluções lentas também são eficientes para mudar o status-quo do mundo. As revoluções silenciosas talvez sejam até mais eficientes, já que iniciam na mente, e não no gatilho, e são sutis, crescem, contaminam as idéias. E assim como uma inception,  deve ser bem planejada; deve-se saber que armas serão usadas, e em que medida.
O que muitos pensadores e leitores de Marx deixam de lado é que as armas da nova revolução podem ser completamente diferentes; inimagináveis para os pensadores antigos. Nós conhecemos essas armas, mas damos pouco valor, ou não entendemos a radicalidade de mudanças que elas trazem. Essas novas armas são as tecnologias de informação. E, quem sabe, os estudiosos do futuro já considerarão que a revolução a tanto anunciada já teve início, e está acontecendo li-te-ral-men-te de baixo de nossos narizes, nesse teclado que tenho sob os dedos.

Uma voz gritou no cyberespaço, e não pode mais ser calada

A Internet tem becos escuros que poucos conhecem. Nesses becos (assim como os do mundo real), muita coisa ilegal ocorre. Porém são nesses becos da deepweb que a revolução já iniciou. São pessoas, usando da anonimalidade, para conversar o que é subversivo aos olhos da lei. E a história está ai para nos contar que o que hoje é comum, ontem foi subversivo, e foi motivo de prisões, torturas e mortes.
A revolução já iniciou, e as provas são até mais bobas do que se pensa. Já comentei aqui em um post sobre o fenômeno do suricate seboso, e sua irreverência ao fazer graça com as peculiaridades do cearense. Ora veja: Temos alguns garotos de menos de 20 anos tomando conta do humor na Internet. São pessoas que se identificam com suas raizes, e fazem graça, muitas vezes, da miséria e do sofrimento de nosso povo. Seria licença poética demais falar que é uma crítica velada. Mas é uma crítica! E mais do que isso, é a voz de uma parte da população (os jovens) que em geral é chamada de desmiolada, apolítica, e massa de manobra do marketing. Eu vejo além. Eu vejo jovens que antes dos 20 anos chamaram atenção para uma brincadeira. Mas que antes dos 20 descobriram que, quando você fala algo sincero, você é ouvido. Se Quando esses jovens entenderem o poder que ganharam, verão que suas palavras digitalizadas são mais poderosas do que chumbo e pólvora.

Armas feitas de bits e códigos

Todo o poder da mídia, usada a seu favor pelos grupos de comunicação, hoje em dia está migrando para as mídias on-line. Se antes a televisão era o meio de comunicação principal, hoje essa realidade já mudou, e é uma mudança permanente. Ok que os grandes grupos de comunicação (na busca do poder perdido) migraram para a rede procurando manter seus pensamentos na cabeça da população. Porém as novas ferramentas de informação deixam em pé de igualdade todos na rede! Pouco a pouco as pessoas notarão que seu poder de comunicação hoje é muito maior, e que suas vozes podem ecoar até o fim do mundo, se quiserem. 
Alguém pode intervir, dizendo que a internet ainda é .com , isto é, é comercial. Porém iniciativas como a Deepweb, ou Bitcoin garantem que há pessoas pensando na liberdade acima de tudo. Isto é parte da filosofia do software livre. E é esta filosofia que está nos armando com novas tecnologias para um mundo melhor:
  • Sistemas operacionais livres: Rápidos, estáveis, imunes a invasões, e que rodam em equipamentos antigos, garantindo que não trabalham com a obsolescência programada. 
  • Moedas livres: Desligadas do mercado financeiro, garantem a continuidade da troca de excedentes entre humanos sem alimentar a ganância de uns. 
  • Hardwares livres: Projetos de computadores que podem ser feitos em casa, adaptados às necessidades dos seres humanos.
  • Protocolos livres: Garantem as comunicações entre pessoas, de forma anônima, como a rede TOR. 
  • Redes Mesh: Redes que ligam computadores ponto a ponto, em uma rede global separada da internet. Depois de ligada, nada mais será como antes: A informação será livre!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Escambo, capitalismo e bitcoin

Existe na deepweb no submundo da Internet uma moeda descentralizada do mercado financeiro. É a chamada bitcoin, que por enquanto só aparece em notícias comuns por ser notoriamente usada para comprar coisas ilícitas. Crimes a parte, a ideia de uma moeda livre pode ser um ponto importantíssimo para uma nova organização social.

Pré-capitalismo

Nas primeiras comunidades humanas, com o nascimento e desenvolvimento da agricultura veio o excedente de produção. De forma reduzida, este excedente foi o início do comércio na humanidade: As tribos e grupos trocavam excedentes com outros humanos, e assim supriam suas necessidades.
Obviamente muita negociação deveria ocorrer, já que a cotação de quanto de arroz pode ser trocada por milho era algo bastante subjetivo. Nesse momento nasce a moeda, algo que simbolize um valor. Ouro, prata, cobre, marfim, e até sal (daí a palavra salário) já foram usados como moeda, e seu valor era atribuído a dificuldade em obter o material. Porém já nessa época da humanidade a desigualdade aparece: Se um país é mais fértil, ou se tem mais jazidas de metais preciosos, o balanço econômico irá beneficiar mais uns do que outros.
A evolução da moeda passa pela emissão do papel-moeda lastreado (um documento que é garantia de uma dada quantia em ouro em posse do governo) para o papel-moeda moderno, garantido apelas pela saúde econômica do país que emitiu o dinheiro. A emissão desse dinheiro é controlada e centralizada, e os meios de produção se dobram a sua vontade. O monstro econômico nasce, para no século XX ser alimentado pelo liberalismo e pelo mercado financeiro.
Mas... e se no início dessa história o ouro fosse substituído por algo que todos os seres humanos pudesse minerar em casa? E se a moeda fosse baseada na matemática?!

Fazendo dinheiro em casa

O bitcoin é basicamente um par de números. Mas não números comuns; eles são feitos de números primos, essas maravilhas da matemática, tão imprevisíveis de serem encontrados. Basicamente funciona assim:
  • Encontrar um número primo grande é algo muito difícil. Eles aparecem de forma aleatória entre os números, e nenhum algoritmo criado até hoje consegue prever todos os números primos. Então o lance é ir testando um a um. 
  • A criptografia RSA utiliza a multiplicação de dois números primos para criar um terceiro número, que é chamado chave pública. Um cálculo simples com os dois números primos gera a chave privada. O pulo do gato da tecnologia é que é muito fácil multiplicar os dois números primos para ver se bate com a chave pública, porém é dificílimo encontrar quais números primos multiplicados geram esse valor da chave pública (caso queira conhecer a fundo, assista este ótimo vídeo).
  • O bitcoin nada mais é do que a geração dessas duas chaves pública e privada. Seu valor deriva da quantidade de energia elétrica necessária para manter os computadores (e as GPU's) funcionando para criar um bitcoin (tarefa que pode levar dias para ser realizada). 
  • O protocolo de transferência entre carteiras eletrônicas garante que um bitcoin não seja utilizado mais de uma vez pela mesma pessoa, assegurando falhas nas transações. 
Dessa forma, um usuário comum, com um computador comum (é necessário uma boa placa de vídeo) pode gerar dinheiro em casa, convertendo energia elétrica em bitcoins que podem ser comercializados pela Internet de forma autônoma do mercado financeiro. Existe um limite de quantas bitcoins podem ser geradas no mundo, que poderia impedir a inflação e a desvalorização da moeda. 

Fomentando sociedades alternativas

Desvinculado de um sistema financeiro, sendo gerada pela própria população, o Bitcoin seria uma ótima solução para uma nova organização social. Viajando um pouco na maionese, poderíamos imaginar grupos humanos de algumas centenas de pessoas, trabalhando, reciclando, gerando sua própria comida e gerando bitcoins através de energia solar e eólica. Essas bitcoins poderiam ser usadas para o comércio entre comunidades. Porém isso é assunto para outro post!

Aceitamos doações de Bitcoins! 1G8Hcdctyd8rP4TKBVYSqSw1YiEC2kki27

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A dificuldade em ensinar programação para adolescentes

Por incrível que pareça ensinar programação para crianças é mais fácil do que para adolescentes. O motivo? Os jogos eletrônicos que os adolescentes se acostumaram a jogar. Suas imagens em 3D, seus gráficos e som nivelam muito pra cima as expectativas de programação dos adolescentes (grande parte deles só se interessam por programar pensando em jogos).

Tudo isso me faz sentir falta dos primórdios da computação, onde era comum todos escreverem seus próprios códigos, e para compartilhar era comum revistas exibirem os códigos para serem escritos no computador. Queria jogar? Passava-se 30 minutos digitando o fonte, para depois compilar e executar. Os mais afortunados tinham um gravador para registrar em fita cassete o resultado.

É a incongruência dos computadores: quanto mais se tem, menos (proporcionalmente) se programa. No início da computação, 100% dos seus usuários programavam. E hoje essa proporção é mínima, que faz até com que computadores diminuam o desempenho de um grupo.

Devemos parar de ensinar a usar computadores, e começar a ensinar a criar com computadores.