segunda-feira, 22 de abril de 2013

A casa robótica e a casa do futuro

Vira e mexe aparecem reportagens alegando que tal feira de arquitetura apresentará a casa dos Jetsons do futuro. Vou lá ler a reportagem é é uma decepção: Um monte de "soluções" para problemas tão mínimos, que provavelmente serão usados assim que comprados, e quando for para mostrar para os amigos. Senão vejamos:

  • Ligar o chuveiro, banheira, luzes remotamente: Pra que? Ligar o chuveiro é idiotice, em tempos de cuidado com a água. Sobre banheira, conheço pessoas que tem em casa e usaram 2 vezes em 5 anos. E luzes... bom, pra isso já existem timers caso necessário. 
  • Controlar aparelhos domésticos: Enquanto a industria não se alinhar para a intercompatibilidade, não vai ser a casa que vai solucionar essa questão. Vai acabar virando só mais uma forma de controle (ao lado das dezenas de controles remoto que já temos). Felizmente tecnologias como DLNa e CEC do HDMI já estão ajudando a diminuir os controles. 
  • Ver remotamente na câmera da porta que um amigo seu chegou, abrir a porta pra ele, e ciceroneá-lo a distância. A-han... você vai usar isso umas... duas vezes na vida.
  • Câmeras de segurança: É. Esse eu acho interessante. Ver remotamente o que ocorre em casa é legal. 
Putz! Será que esses arquitetos não conseguem pensar fora da caixa? Todo mundo só pensa as mesmas coisas? Só consigo me lembrar daqueles vídeos sobre carros do futuro, em que eles acertavam um ou dois detalhes, e o resto era só besteira!

A casa do futuro não será eletrônica

O paradigma da eletrônica, das telas de LCD, de informação acabam nublando a visão dos arquitetos sobre o que esperar mesmo de uma casa inteligente. Senão vejamos: O que é mais inteligente? Uma casa que regula a temperatura do ar-condicionado eletronicamente através de sensores e computadores, ou uma casa que não precise de regulagem de temperatura?! Como? Com o uso de materiais inteligentes, formas e medidas pensadas, ou seja, uma casa inteligente de nascimento.

Ora, senão vejamos: Como é que prédios públicos antigamente funcionavam sem ar-condicionado? E sem ventilador? Prédios públicos como prefeituras, escolas, igrejas, locais que recebem várias pessoas existem antes de existirem as tecnologias de climatização. E a solução era somente a arquitetura pensada desde o princípio da execução da obra, utilizando pés-direitos (tetos) altos , canalizando ventilação natural, etc.

Outras soluções podem ser aplicadas inteligentemente:

  • Subsolo frio: O subsolo das construções é, em geral, mais frio do que a temperatura ambiente. Essa característica foi muito usada para ambientes que necessitem de temperatura controlada, como adegas e armazéns, mas poderiam ser usadas também para, por exemplo, o quarto de dormir de verão da casa! Um quarto no subsolo, de teto baixo, usado nos dias de calor. 
  • Reutilização de chuva: Calhas de telhados terminando em reservatórios para água da chuva. Essa água, pura e livre de cloro, poderia ser direcionada diretamente para o chuveiro. Nada de bombas para subir a água: Aproveitar ao máximo a gravidade para guiar os canos.
  • Reutilização de água das pias para descarga: Reservatórios intermediários acumulariam água para descargas. Só essa medida já reduziria pela metade o consumo de água em uma casa, já que com o volume de uma descarga é possível tomar um banho! 
  • Canalização de ventos naturais e uso de tetos altos: Soluções simples que podem aposentar o uso de ar-condicionado e de ventiladores em dias e locais quentes. Cortinas de água podem também ser usadas para purificar o ar contra poeira e para diminuir a temperatura do mesmo. 
  • Uso de aquecedores solares para água do chuveiro, com reservatório térmico para manter água quente mesmo a noite. 
  • Quando necessário, uso de refrigeração piezo-elétrica, que pode refrigerar um ambiente sem o uso de peças moveis (motores, compressores, gás refrigerante, etc.). Isso não é uma tecnologia nova! Só não é usada em grande escala. 
  • Para paredes com incidência solar, usar plantas como a unha de gato para resfriar e isolar o calor. 
  • Usar telhados verdes, que isolam melhor o calor. O teto da casa poderia ser um jardim, uma horta, ou mesmo uma área de lazer verde, usando grama ou outras plantas trepadeiras. 
  • Área de compostagem de lixo orgânico: Soluções para isso precisam ser práticas. Para isso uma das pias da cozinha poderia ser de uso obrigatoriamente orgânico. Um triturador de alimentos ajudaria que o composto orgânico fosse direto para uma área de compostagem, para que de lá pudesse sair Chorume (para irrigação de plantas) e adubo orgânico, para uma horta ou jardim. 
  • E a aplicação de soluções já comerciais verdes: Uso de painéis solares, uso de ilumunação natural combinada com iluminação LED (consome menos do que fluorescente), etc.
Ou seja, um uso racional de energias:
Gravidade - Sol - Ventos - Água - Eletricidade

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O fenômeno Suricate Seboso e a revolução digital


Junte a imagem mal recortada de alguns suricates, textos com expressões bem regionais, tudo em cima de uma imagem de galáxias (!?) e você terá sua própria versão do meme Suricate Seboso! Estatísticas oficiais de acesso divulgadas pelo grupo mostram a sua força ultra-concentrada na cidade de Fortaleza. Também pudera: as brincadeiras sempre são feitas com base em coisas ditas pelos cidadãos comuns daqui, ou de situações e locais específicos.

Estatísticas do Suricate Oficiais
O sucesso do Suricate Seboso marca uma evolução na cultura digital: A transição da passividade do telespectador de TV para a colaboração e co-criação de conteúdos na Internet. A grande parcela dos assinantes do canal no Facebook (Jovens de âmbos os sexos, entre 13 e 34 anos) é justamente a que cada vez menos assiste televisão. O suricate representa a sua audiência muito melhor que a TV: Fala o que eles falam, gosta do que eles gostam, e sofre o que eles sofrem!

Uma das imagens mostra um grupo de suricates grandes, com um pequenininho próximo. A legenda diz: "A mãe disse que era pro Zezin brincar também. Mas é pra ele ser café-com-leite", expressão que indica que é para pegar leve com ele. Também é comum a escrita literal de como o cearense fala, como em "corra linda da mãe" (ao invés de coisa) ou em "affmaria maxu, nãm!". Porém os erros propositais não assustam professores de português que identificam ali uma originalidade válida de ser registrada.

Os memes com carinhas não são novidade. Desenhos preto e branco representando sentimentos já tomam conta das redes sociais já fazem alguns anos, e eles ainda são uma outra forma de expressão da juventude. Porém são importados, muitas vezes representando situações que não são comuns no nosso país, quiça no estado. Nenhum meme regional alcançou a popularidade necessária para deixar suas fronteiras (nem mesmo o fortíssimo Seu Lunga).

Revolução Digital made in Ceará

O suricate é fruto da evolução das capacidades digitais de expressão. Há 30 anos se você quisesse expressar-se para um grande grupo de pessoas, a mídia resumia-se a fanzines mimeografados e entregues em Universidades ou algo parecido. O pleno domínio dos veículos de comunicação de massa por famílias ou grupos em todo o país impedia até mesmo a criação de uma televisão mais regional.

Com o barateamento de computadores e câmeras digitais, e o fácil acesso a softwares de edição de imagem e vídeo, um documentário caseiro em vídeo, que necessitava do aluguel de uma sala de edição linear, hoje pode ser feito por um adolescente em casa, em seu tempo livre.

Porém foram as tecnologias de publicação e compartilhamento social de conteúdo que deram força aos movimentos Meme. Sua estrutura viralizante facilita a expansão do conteúdo criado, e hoje o Suricate conta com audiências comparável com a de programas globais. É muito poder para um grupo de adolescentes. São 410 mil seguidores em Abril de 2013, a esmagadora maioria em Fortaleza. Praticamente um em cada 10 fortalezenses segue o Suricate, ou algum dos seus muitos imitadores. Porém esse poder foi adquirido da força da criatividade de seus integrantes, e de sua capacidade de fazer humor da desgraça local (uma especialidade dos humoristas alencarinos).

Que evoluções podemos esperar de uma juventude participativa e co-criadora de conteúdo? Se hoje eles estão criando imagens para se divertir e se expressar, nada os impedirá de que quando adultos criem conteúdos que os representem nas suas lutas, anseios e necessidades.