quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Não podemos viver sozinhos... fisicamente não dá!

Existe um programa na Discovery que retrata pessoas chamadas preparadores, que se estocam de comida, água e técnicas para sobreviverem caso aconteça algum desastre em escala global. Os riscos são reais: Explosões solares, asteroides, terremotos, ou mesmo o inevitável fim do capitalismo, e a era da escrotidão que viria virá em seguida.

É necessário metade dessa área para
sustentar a vida de uma pessoa
Assistindo ao programa, me veio uma dúvida: Quanto de terra eu preciso para garantir o meu sustento individual? Digo: Se eu estivesse só, e ainda tivesse alguma tecnologia e sementes, quantos hectares de terra eu precisaria ter para viver? A resposta é: Meio hectare! ou exatamente um quadrado de terra de 50m x 100m. Para os ruins com medidas, seria meio quarteirão de plantação.

Eu me assustei um pouco com o tamanho. Afinal um terreno desses não é nem perto do que os seres humanos comuns têm disponível em seus quintais. Na escola onde ensino irão revitalizar uma hortinha, e agora vejo que ela fara pouquíssima diferença na alimentação dos quase 400 alunos. O tamanho também jogou por água abaixo um plano meu de montar uma horta suspensa no meu mísero quintal de 16m²!

Meu pensamento seguinte foi ver que, para sobreviver mesmo, é necessário um grupo! Não dá pra, sozinho ou em casal, arar, plantar, agoar e cuidar de toda essa terra com facilidade (a não ser que o casal vá viver de batata pro resto da vida).

Para se ter uma diversidade mínima de cardápio, contando com as sazonalidades das culturas, imagino que tenha que ter pelo menos 10 seres humanos juntos, cultivando seus 5 hectares comunitários de terra, e ainda precisando trocar excedentes com outros grupos. Ou seja, nem que eu queira dá pra eu me jogar no meio de uma área desabitada para me isolar do mundo.

Olhando assim, até que dá pra condenar menos os amish!

Software Livre - Uma escolha política

Já escrevi aqui as razões inteligentes boas para usar softwares livres (Post: Por que software livre é positivo para a humanidade). Mas é muito importante que os usuários de SL entendam o movimento político por trás desse uso.

Primeiramente o uso de SL tem grandes razões econômicas, principalmente para países em desenvolvimento como o Brasil. Quando você vai a uma loja e compra um software proprietário, como o Windows da Microsoft, boa parte do valor pago sai do país, indo engordar as economias dos países desenvolvidos, especialmente os USA. A geração de renda e emprego da simples venda é mínima para o pais, comparado com o volume de negócios que o SL pode proporcionar. Já com o Software Livre, mesmo este sendo distribuído gratuitamente, seu uso demanda profissionais tanto na instalação, na manutenção e na adaptação desses softwares para as empresas. A cadeia de geração de empregos não para ai, já que a capacitação desses profissionais em SL também representa uma grande fonte de renda ligado ao SL.

Muitas recomendações governamentais condenam o uso de dinheiro público para o ensino e capacitação de tecnologias proprietárias. E isso está corretíssimo: No momento em que eu capacito minha população em uma ferramenta proprietária (como o Windows), eu estou garantindo uma continuidade de um monopólio privado, e garantindo a continuidade de venda de softwares da empresa proprietária, tudo isso gerando renda que irá deixar o país, e não irá promover a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias similares aqui.

Outro ponto importante do SL é sua capacidade de adaptação. Como este vem junto com o código-fonte, significa que um programador pode alterar as funções do software, e adaptar seu funcionamento às necessidades. Obviamente este procedimento necessita de uma capacitação, porém este tipo de instrução quando dada à população gera novas ferramentas e fomenta a pesquisa e desenvolvimento. Todo esse movimento pró-Software Livre tente a garantir ganhos nos mercados de tecnologia.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O problema da 'energia' dos metafísicos

Isto NÃO É energia!
Ah, energia... quantas vezes teu nome foi falado em vão! É na música, na poesia, na pregação da igreja... é, você está em todo lugar (de fato). Mas tem muita gente inventando com teu sagrado nome, e viajando na maionese!

Não preciso dizer o que é energia. A wikipedia (wikipedia.org/wiki/Energia) consegue trazer uma boa explicação do que de fato é o sujeito aqui: a energia estudada da física. É essa 'coisa' que consegue se transmutar em energia potencial, ou cinética, ou elétrica, ou elástica, ou sonora... mas nunca transcedental!

Minha cisma aqui é que está virando comum a galera bicho-grilo a comunidade transcedental citar termos e conceitos físicos e científicos para embasar (mal) os pensamentos metafísicos. É gnóstico citando Hawkins, é religioso citando Einstein, é livro de auto-ajuda falando de teoria das cordas. Menções honrosas ao livro/filme O Segredo, O cocô em papel livro Hercólubus, e o site do filósofo XR (direto do túnel do tempo) xr.pro.br/ .

A comunidade metafísica deveria logo entrar em um consenso e parar de usar a palavra energia (que já está bem estabelecia do que é, tirando o uso poético) e começar a pensar em outras denominações para essa outra 'energia', que:

  • É conseguida no ato da concentração ou na euforia de uma celebração;
  • Passada através de reikis e afins;
  • Acumula-se em agulhas de acupuntura ou similares;
  • É bloqueada com amuletos, fitinhas, penduricalhos e imagens (no caso, a energia negativa);
  • Acumula-se em cristais, pedras, e na borda de seres vivos ou espirituais;
  • É recebida quando se entra em um canto 'sagrado', bonito, histórico ou importante.
Essas 'energias' ai em cima não estão sincronizadas com as leis da termodinâmica, por exemplo. Então não são energias, ora! Olha... se quer chamar de algo, dá pra se pensar em outras denominações melhores: Tchan, climão, leruwáit, aura, ou o meu preferido: Vibe! Pra evitar confusão, morou?!

Resposta a Ghiraldelli Jr.

Sobre o post http://ghiraldelli.pro.br/2013/02/datena-versus-ateus/

Parabéns. Nunca vi tanta m#%*@ escrita com palavras tão bem escolhidas. Mas não dá para ler e não se questionar:

1. "professores de filosofia não constituem uma minoria, no máximo um grupo profissional [...]  nunca os ateus serão uma minoria". Se os professores de filosofia sofressem preconceito da maior parte da população, por não entender sua forma de pensar, você não soltaria essa pérola. Se o 'clubinho ateu' se mobiliza para a garantia de seu estado laico, temendo um retrocesso de pensamento, isso o faz maior que um clubinho, né? Tenha respeito pelo pensamento. VOCÊ filosofo, se pudesse impedir a queda do pensamento grego, não o faria? Se soubesse que após essa queda passaram-se centenas de anos para um renascimento desse pensamento. Você re-al-men-te chamaria-os de 'clubinho'?

2. "Ninguém se mobiliza contra o ateu, seriamente, por conta dessa fala de Datena". PROVE. Eu provo o contrário, mostrando a guerra de insultos que esse 'comunicador' provocou ao deixar explicito seu preconceito.

3. "As pessoas não perguntam se alguém é ateu ou não [...] para iniciar um relacionamento". Você é professor? Não acredito. Pois TO-DO semestre sou questionado sobre o que acredito por meus alunos. E parece uma prática comum, principalmente entre os evangélicos.

4. "A maioria de nós não tem uma moral laica, mas religiosa, e mesmo que laica, foi nos incutida por meios populares-religiosos". Muito fácil discordar. A moral corrente (Zeitgeist) parece ser religiosa, mas é o contrário: A moral corrente serve de filtro para a moral religiosa ser repassada. É a tal da 'interpretação', que faz com que eu ou você não mais guardemos o sábado, ou que nos permita dar voz e vez as mulheres. O zeitgeist até criou uma novidade: O deus bacana! Ora! Se você ler as diversas escrituras, verá que deus já foi de tudo, menos bacana!

Aguardo resposta!