terça-feira, 13 de novembro de 2012

Consumismo? Não, obrigado!

Estou teclando este post de um notebook que custou R$ 899,00. Ele tem 13 polegadas de tela, disco rígido de 500Gb e um processador mediano. Mas pagar 1,5 salário mínimo por uma máquina que pesa pouco mais de 1 quilo é excepcional!

Um equipamento que é muito similar em formato ao meu notebook é o Apple Macbook Air. Um equivalente ao meu (13 polegadas) está custando R$ 4999,00. Obviamente é mais potente, é mais bonito, e tem mais status. Mas eu chuto que 90% das pessoas que o compraram vão fazer o mesmo feijão-com-arroz de todo mundo: Acessar o facebook, digitar alguns documentos e planilhas, e salvar fotos. Só.

O capitalismo tem vários mecanismos para se reinventar. E em tempos de crise econômica, o Brasil se mostra forte com uma receita velha: O consumismo, por tanto tempo usado pelas grandes potências do mundo. Hoje há no Brasil uma necessidade de sustentação da economia com a inclusão das classes D e E no consumismo, e no inchaço da classe C. E para isso ocorrer, vale tudo: Obsolescência programada, Produtos de alta tecnologia com baixíssima qualidade (ex: celulares xing-ling), e status... muito status embutido nas novidades. Tudo para forçar a nova compra.

Um exemplo terrível de como o governo busca a todo custo essa escalada econômica é a isenção de IPI dos automóveis novos. Foi dada largada a uma corrida às concessionárias na busca de descontos, e isso girou muito a economia. Porém todas as grandes cidades brasileiras já estão com sua malha viária esgotada, não há mais local para novos automóveis. O que demandará novos investimentos em infraestrutura, novas licitações, novos viadutos. Impulsionando novamente a economia. Porém quem pagará a conta é a população, ao custo de seus impostos, e como resultado a criação de cidades cada vez mais excludentes, privadas e segregadoras. É a sociedade pagando para dar trabalho para os particulares. É a sociedade se movendo ao redor do dinheiro.

Você, refém das suas posses

Vejo que parte do problema vem da sedução dos produtos. O novo e o moderno trazem além do status uma satisfação pela posse. Muitas vezes todos os grandes recursos novos nem mesmo são usados. Quantos usam todas as possibilidades de seus espertofones smartphones? A luta aqui é a de fugir da lógica do mercado, de que diz que devemos consumir sempre. Não é normal trocar de aparelho celular todo ano. E se for trocar, é realmente necessário que seja o novíssimo? O que custa mais de dois mil reais? Junto desses aparelhos caros vem todo o medo da perda, e ai você vira refém da coisa. A coisa agora lhe possui. É difícil largar, ou aceitar a perda. Muita gente morre reagindo em assaltos pelo simples apego a alguma coisa que foi cara.

Desgarrar-se de bens tecnlógicos é difícil, anda mais quando você é um nerd geek de carteirinha. Mas não é impossível. Escolher bem um produto, pensar bastante no que de fato vai usar e o custo disso permite que você possa ter produtos que lhe tragam benefícios mas que não lhe deixam refém das coisas.

Hoje tenho um celular smartphone que custou 99 euros, um videogame portátil que custou 450 reais, e este notebook que uso. E estou preparado para a perda de todos. Seu custo-benefício já se pagou, então agora estou só no lucro. Pelo menos até o dia em que a obsolescência programada deles me forçar a uma nova compra.

Um comentário:

  1. Quando leio os seus artigos(grande parte deles), parece que estou lendo meus próprios pensamentos :)

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