terça-feira, 14 de junho de 2011

Tablets e iPads na escola: Tiro no pé ou revolução?

Enquanto escrevo, tramita entre os políticos as idéias sobre a redução de impostos para tablets e a inclusão de leitores digitais (e-readers) com isenção. Já manifestei aqui no blog meu total apoio ao e-reader, e comentei como esse equipamento tão simples pode mudar bastante o material didático e de consulta (leia mais nesse post sobre e-readers). Porém minha opinião muda bastante a respeito dos tablets. Serão eles também tão positivos na escola?

Diferente de um livro eletrônico (que tem como função única a leitura), um tablet é um computador completo, de fácil manipulação, e uma ótima ferramenta para consumo de informação. Um tablet é ótimo para acessar páginas, e-mails, jornais, vídeos e joguinhos do tipo Angry Birds. Porém ele não é uma boa ferramenta para criação de conteúdo. Redigir um texto, editar um vídeo ou montar um banner são funções que se tornam maçantes usando uma interface touchscreen.

Sim, a escola é um local de consumo de informação, mas já dizia Paulo Freire e Piaget, o recebimento unilateral de informação por parte do aluno não é uma proposta pedagógica aceitável. Essa escola arcaica, onde o professor (ou o tablet) é o dententor da informação e único 'repassador' é totalmente contrária as idéias de construtivismo, de protagonismo juvenil e de pedagogia da autonomia.

Software educacional, onde estas?


Cito sempre esse caso em minhas aulas: Um empresário tem uma loja e decide informatizá-la. Compra 5 computadores potentes, contrata um link de Internet e deixa tudo a disposição dos funcionários. A produtividade irá aumentar? Não! Claro que não! Irá cair! Computadores não são amuletos de produtividade, já que sua presença não garante que os funcionários irão vender mais. A resposta para produtividade é software. Informatização necessita de softwares que venham a auxiliar e agilizar os processos na empresa.

A mesma coisa podemos levar aos tablets na escola. Sua simples presença irá causar distração, desorganização e apatia para com o conteúdo didático. Esses equipamentos são fantásticos, mas como entretenimento. Nenhum deles sai de fábrica com softwares que de fato venham a colaborar com o professor.

A solução é a instalação de softwares educacionais nas máquinas. Porém vários problemas brotam aqui:

  • Pouquíssima oferta: A grande maioria dos softwares ditos educacionais não foram feitos com apoio de um pedagogo. São aplicações de coisas práticas (como um applet que calcula trajetórias de física ou um programa que mostra a tabela periódica de forma mais ilustrada). Esses aplicativos no maximo ilustram uma aula, mas não participam de fato na construção do conhecimento.
  • Nenhum critério pedagógico para a escolha: A maioria Todas as escolas que estão adotando tablets atualmente o fazem para mostrar um ar de vanguarda, porém com pedagogia zero. Os aplicativos são escolhidos por técnicos de informática ou nem isso.
  • Pouco treinamento: A classe de professores historicamente (e vergonhosamente) é aversa a tecnologia. Muitas vezes os laboratórios de informática são usados como descanso do professor, que deixa alunos usando algum software educativo com pouca ou nenhuma ligação com o conteúdo, ou na pior das hipóteses passa uma 'pesquisa' a lá wikipedia, no melhor estilo CTRL+C CTRL+V.

De fato a grande maioria dos professores não vê as possibilidades reais de um computador programado para o ensino. Mas esse problema não tem solução fácil: Enquanto não houver programadores com um bom suporte de um pedagogo, ou pedagogos que saibam programar, não haverão softwares educacionais.

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