terça-feira, 19 de abril de 2011

Filme: Um Visto Para o Céu (1991)

Semana passada encotnrei zapeando na tv o filme Um Visto Para o Céu (1991) - IMDb, e que há muito tempo usava como referência a um suposto julgamento da nossa vida após a morte. O filme não é um grande sucesso (acho que a Meryl Streep nem era famosa nessa época), mas tem o mérito incrível de falar de vida após a morte e reencarnação sem tocar nenhuma vez em religião. E isso já faz ser um filme memorável!

OK, ok... alguém pode falar que tudo que é mostrado no filme é bem uma visão espirita da evolução da alma. Pra falar a verdade, o filme se assemelha em muitas coisas com o recente filme brasileiro Nosso Lar (http://www.imdb.com/title/tt1467388/), só que de uma forma mais burocrática e menos cara de anjo (que é aquele sorriso sem graça que todos os figurantes de filme no ceu tem que fazer!). Todas as questões existenciais que o personagem faz são respondidas com um sincero você não vai entender, se eximindo então de entrar em zonas mortais perigosas da discussão religiosa.

Como disse antes, a comédia é bem lenta e pouco empolgante, mas os moldes do julgamento são fascinantes. Basicamente você evolui a medida que perde o medo, que basicamente é o que une todas as almas não-evoluidas do planeta Terra. No julgamento, Daniel Miller (o protagonista) revê os constrangedores momentos de sua vida em que o medo guiou seu destino, como quando deixou de ganhar dinheiro por não investir em algo arriscado, ou quando não pode fazer um discurso diante de uma multidão.

Você tem medo de que?

Acho que o plot do filme é bastante atual porque o tema medo é mais do que recorrente nos dias de hoje. Hoje vivemos a sociedade do medo. Se pensarmos bem, grande parte de nossos movimentos são derivados do medo que nos é jogado na cara. E não estou falando de terroristas e violência somente. A mídia guia seu rebanho falando do medo da morte, medo de envelhecer, medo da violência, medo da rejeição, etc. O medo guia orçamentos para as guerras, guia relacionamentos para submissão, guia pensamentos para eventos paliativos (copas, olimpiadas) no melhor estilo pão e circo.

A violência, filho primogênito do medo, televisionada nos programas policiais durante nosso almoço, nos diz uma coisa clara todo dia: Tenha medo! Não saia de casa! Julgue os negros e os marginais... pois eles são os párias vagabundos que querem lhe matar por 2 reais. Dai você pode, com um sorriso no rosto, comprar condomínios fechados, contratar segurança particular, colocar fumê e alarme no carro, grades, câmeras, e... no final de tudo... votar nos apresentadores desses programas violentos para serem seus deputados e vereadores. No fim, tudo vira comércio e política poder. E você é o hamster que roda a rodinha.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Por que Asimov é um dos seres humanos a parte?

Esse vídeo de 1988 de Isaac Asimov mostra como ele conseguiu prever o impacto dos sistemas de informação modernos na disseminação da informação. Sites como Wikipedia, com seus artigos linkados, permitindo a navegação de tópico a tópico, são um perfeito exemplo de educação construtivista, onde o estudante busca a informação da sua forma, na sua velocidade e de acordo com os seus interesses. Vejam o vídeo:


Crítica ao vídeo de Asimov

Infelizmente nem tudo são flores. Um crítico poderia bradar que de fato todo esse fácil acesso a informação aconteceu, mas que não houve nenhuma revolução da educação como Asimov preveu. Uma utopia pedagógica, talvez. Hoje temos um mundo inundado de informações cada vez mais rápidas, e a dificuldade não é acessar a informação, mas filtrar o que é relevante e importante para o usuário no mar de dados da Internet. O que houve de errado?

O que Isaac Asimov não previu é que da mesma forma que os sistemas de informação diminuiram a distância entre o estudante e o conteúdo, esses mesmos sistemas diminuiram a distância entre o estudante e os meios de entretenimento! Você hoje tem tudo multiplicado: Se antes conversava com 8 ou 10 amigos, hoje você pode fazer isso com centenas ao mesmo tempo! Se antes você tinha um Atari com 5, 7 cartuchos de jogos, hoje você tem milhares de opções acessíveis a um clique! Se você tinha orgulho de 2 ou 3 revistas pornográficas escondidas, hoje qualquer pessoa pode ter acesso a qualquer tipo de pornografia imaginada! O mundo ficou pequeno com as telecomunicações. Com o advento da internet e seus meios de entretenimento, ele ficou minúsculo e muitas vezes até desinteressante! O mundo através da tela é sempre chamativo.

Vende-se um minuto de atenção

A disputa comercial pela atenção do usuário também atrapalha muito o estudante em busca de conhecimento. São tantas as estratégias de sites como o Facebook para manter seus usuários navegando somente por ali que hoje é normal ver estatísticas de pessoas que passam horas do seu dia em sites de relacionamento.

No final, fica sempre a questão: A escola se tornou um local desinteressante! O mundo lá fora é muito mais interessante, divertido, colorido e musical! A revolução que Asimov preveu tinha tudo para acontecer, se a Internet continuasse não-comercial.

sábado, 2 de abril de 2011

Por que o software livre é positivo para a humanidade? Parte I

No mundo da tecnologia existe uma eterna rivalidade entre o software comercial e o chamado software livre, que rende muitas piadas, discussões, e em alguns círculos, muitas intrigas! Diferente do que muita gente pensa, eu acho a discussão idiota irrelevante hoje em dia. Sim, eu uso majoritariamente software livre em meu computador, e faço sim propaganda dele. Mas tirando o idealismo, quando mostro o software livre para alguém é porque realmente acredito que suas funcionalidades são a solução para muitos problemas do usuário comum.

Software proprietário não é só Microsoft!

Incrível o número de pessoas que remete automaticamente o nome Microsoft ao falar de software comercial. Esquecem que Corel, Apple, Adobe, Norton... todas as grandes empresas que conhecemos trabalham com o modelo comercial de software. E esse modelo de mercado tem sua importância! Se não fosse a Microsoft e a Apple, e seu modelo comercial de software, talvez o computador ainda estivesse restrito a uma gama de Nerds e Universidades!

Software Livre não é Software Grátis!

Outro erro comum entre a massa. Software livre é um software que vem junto com o código-fonte, o que permite que possamos alterá-lo. Também implica que esse software tenha uma licença de uso que diz que todas as alterações que eu fiz possam ser redistribuídas a outros usuários, e que esses também possam alterar o programa. Tecnicamente eu posso até vender esse software, mas obrigatoriamente terei que incluir o código-fonte dentro.

O que significa usar o código-fonte para alterar um programa? Pense no código-fonte como uma receita de um bolo, e o software como o bolo. A Microsoft é uma padaria que vende o bolo pronto, mas não dá a receita para ninguém (porque acha que o bolo dela já é perfeito). Se você comprou o bolo, mas não gosta de alguma coisa nele, não tem muito o que fazer senão engolir! Já outras padarias, adeptas do bolo livre, distribuem junto do bolo a receita do tal! Você pode mudar essa receita (retirando por exemplo àqueles cravos da índia, eca!) e deixar o bolo mais a sua cara! Qual a condição? Que se você der o bolo pra mais alguém, que mande junto a receita!

Quem criou o software livre, e como ele vive se não vende seu produto?!

O software livre é criado em grupo. Foram milhares de pessoas juntas, cada uma fazendo uma pequena parte, com a coordenação de um grupo maior, que criaram os softwares maravilhosos, que se equiparam aos softwares comerciais por ai! Quem colaborou, doou uma parcela de seu tempo pelo software, e no final ganhou o software completo para usar! As pessoas que trabalham com software livre ganham a vida dando consultorias, fazendo instalações e cobrando por personalizações, um mercado cada dia maior (eu mesmo passei muitos anos colaborando e vendendo serviços atrelados à SL).

Motivos para se usar software livre em casa:

  • É gratuito: Dai você pode parar de fazer pirataria! Lembrando que o uso de software pirata é um risco imenso para a segurança dos dados do usuário. 
  • É seguro: Como o software está em constante revisão por centenas de programadores diferentes, bugs e falhas de segurança são rapidamente fechadas.
  • É imune aos vírus: Devido a sua característica de segurança em primeiro, os códigos maliciosos que tanto atormentam os usuários windows não executam no linux. Mesmo se executarem, não alteram o sistema (já que por default o usuário linux não tem permissão para isso). A falta de popularidade (ainda) também influencia na não-existência de pragas virtuais. 
  • Há programas: Para quase todo software proprietário, existe um similar em funcionalidade. Pode não ser idêntico, mas precisa ser?
Obviamente existem motivos para não usar. Um deles é a falta de popularidade: Dai você recebe um arquivo proprietário (DOCX, CDR, etc.) ou quer testar um jogo, e estes não rodam (ou abrem precariamente) no Linux. Para muitos, isso já é motivo suficiente para não usar! Mas se o usuário final medisse melhor os prós e contras, talvez tivesse menos preocupações com infecções e perda de dados.