quarta-feira, 9 de março de 2011

Achismos, Power Balance e idiotice coletiva

Li recentemente o post “Mas comigo funciona!” do site http://www.ceticismoaberto.com, que explica dentre outras coisas  sobre o efeito placebo, sugestionabilidade e correlação, e mostra como se proteger em uma pesquisa desses falsos positivos, usando técnicas para impedir a sugestionabilidade nos testados (caso controle) e nos testantes (duplo-cego). O texto já explica de forma primorosa todas as situações, por isso vou passar para uma análise mais antropológica da coisa: Por que os seres humanos não testam suas hipóteses? 
Amuletos. Seus usuários acreditam na superstição de que seu uso garante poderes mágicos
Outro dia no elevador, comentei com minha esposa que meu óculos estava me dando dores de cabeça (provavelmente indicando que preciso checar minha miopia). Um senhor freetalker ouviu e comentou que não acreditava nos óculos, e achava que óculos eram coisas para prejudicar as pessoas! Uau! Isso sim é que eu chamo de um idiota conspiracionista!

Conspiração, eu quero uma pra viver!

Já perdi as contas de quantas vezes eu constrangi amigos por repassarem bobagens e achismos, tanto pela internet quanto em rodas de conversa. São àqueles velhos casos de marcas na caixa do leite, meninas desaparecidas, doenças terríveis, homem na lua, etc. E são coisas repassadas como verdades inquestionáveis, mas que nenhuma dessas pessoas fez o mínimo movimento de pensar e se questionar da verdade daquilo. Coisa que seria contestada facilmente com uma acessada no google.

Outro holograma que fazia bem a humanidade
A última bobagem moda que apareceu foi uma pulseira de silicone com um holograma (!?) mágico nela, chamado de Power Balance, e que clama trazer benefícios de maior equilíbrio para o idiota usuário que a tem no braço. [espaço reservado para um palavrão daqueles!] Como é que pode alguém acreditar numa balela dessas?! Sério... se for pra inventar uma lorota assim, não era mais lógico (ou poético) colocar um pedaço de pedra, ou um metal raro (ou dizer que é raro) e fazer demagogia ligando as "propriedades" do ítem com os benefícios? Mas não! Eles colocaram um holograma!!! Acho que a última vez que alguém distorceu assim o conceito científico de holograma foi na série Automan, em que um policial gênio da informática cria um programa de computador, seu alter-ego, que se materializa em forma de um holograma (?!) para combater o crime!

Minha aversão à mídia me fez perder o bonde dessa tal power balance. Quando soube da história, o fabricante já estava sendo forçado a falar a verdade: Que seu produto não tem nenhuma propriedade cientificamente comprovada. Fico imaginando eu propondo uma verificação simples, com testes cegos, usando o Wii e a balance board para ver provar pros incautos a grande bobagem que eles compraram!

Navalha de Occam sobre esportistas comprovando a power balance: O que é mais fácil? Um esportista como Barichello testar a pulseira e depois comprovar, dai ajudando a vender milhões; ou o patrocinador pagar para ele usar, ele "comprovar", dai ajudando a vender milhões? Pense! 

Um comentário:

  1. Li agora que uma power balance custava R$ 120 no Brasil! Inacreditável alguém dar tanto dinheiro assim por nada!

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