quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Centro da cidade sem carros?

Uma reportagem chamou minha atenção esses dias, comentando a ideia de restringir a circulação de ônibus no centro de Fortaleza(Diário do Nordeste: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1064518). A reportagem não ficou clara o suficiente sobre o que iriam fazer, mas em minha opinião qualquer diminuição de transporte público é condenável.

Aos que não conhecem, o centro da cidade de Fortaleza é um caos: transito caótico, calçadas curtas completamente tomadas por ambulantes e obstáculos, barulho e sujeira. Se você vai de carro, arrumar uma vaga é um suplício. Se você vai de ônibus, irá ficar preso no engarrafamento do mesmo jeito. Se você vai a pé, enfrentará calçadas cheias do mesmo jeito. Se você vai de bicicleta, não volta!

Em qualquer grande cidade grande, o centro sofre grandes restrições de acesso a veículos. Em visita recente a grandes cidades europeias, vê-se um rigor grande quanto a circulação de carros de passeio por esses locais. Também vê-se uma preocupação com estacionamentos próximos aos locais. Em suma, uma valorização do transporte público.



Se Fortaleza fosse uma SimCity, em que pudesse remodelar a vontade, minha ideia seria:

  • Fechar completamente a circulação de veículos no quadrilátero formado pelas ruas Duque de Caxias (norte), Praça da Estação (Sul), Tristão Gonçalves (Leste) e Praça dos Leões (Oeste). 
  • Transformar os primeiros trechos de todas as ruas que entram nesse quadrilátero em opções de estacionamento zona azul. 
  • Criar duas ou três linhas de metrô elétrico circulando no centro, com passagem gratuita. O serviço seria pago com os estacionamentos zona azul. 
  • Todas as ruas se tornariam arborizadas calçadas de pedestres, com espaço para ciclovias (e bicicletários). 

sábado, 22 de outubro de 2011

Os inúmeros fins de mundo e seus idiotas

De novo cá estou, mais um sobrevivente do fim do mundo. Mérito nenhum meu, é claro, já que tirando alguns que morreram ontem de outras causas, o resto da humanidade todo viu o dia raiar. O tal profeta Camping mais uma vez falou em seu aviso de que o fim está próximo.

Fim do Mundo de Harold Camping Falhou; Tag '#jaqueomundonãoacabou' Vira Hit no Twitter - Notícias Cristãs | Christianpost.com:
'via Blog this'

Qual o problema com esses profetas? É que, depois de seguidas frustrações, eles vão achar que isso é um sinal de que eles terão que fazer o trabalho com as próprias mãos. E com o acesso a tecnologia de destruição não é uma coisa do outro mundo, algum deles talvez consiga fazer um bom estrago (apesar d'eu duvidar que consiga acabar com o mundo).

O mundo acaba todos os dias para as espécies extintas direta ou indiretamente pelo homem. E diferente do que prega os idiotas messias religiosos, nossos passos para o fim são galgados por nós mesmos, pela simples falta de educação. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A morte do último legado da Palm - WebOS

É com tristeza que leio sobre a morte do último legado da Palm, o sistema operacional WebOS. Como grande fã das soluções da empresa sinto pelo desmantelo da empresa (e seus produtos e soluções), muitas vezes deixados de lado por argumentos empresariais de curta visão.
Evolução dos produtos Palm
A Palm nasceu das idéias de computação portátil de Jeff Hawkins, que durante a invenção do palmtop passou vários meses andando de lá pra cá com um tablete de madeira, fingindo escrever notas com uma pequena caneta. Mal sabia que o que ele fez é a base da prototipagem de baixa fidelidade, hoje tão comum nos tempos de iPads e Androids.
Olhando nos meus registros tive ao todo 10 palmtops (de 1998 a 2008):

  • IIIe, 2MB, preto e branco.
  • IIIc, 8mb, colorido.
  • m130, 2mb, colorido.
  • m100, 2mb, preto e branco.
  • Zire 71, 8mb, colorido, com câmera.
  • Palm Tungsten (lindão!) colorido.
  • PocketPC da HP (virei a casaca!)
  • Sony Clié NX60 (câmera, teclado, resolução de 320x480, GPS via cartão de expansão!)
  • Sony Clié TX (câmera, teclado, wi-fi, resolução de 320x480, rivalizaria com muito smartphone hoje!)
  • Palm Centro, smartphone.
Palm Foleo, o natimorto precursor dos netbooks

Depois desses ai passei para os smartphones com Windows Mobile, e por último estou com um Android. 
Minha tristeza com a empresa é que ela tinha a inovação na mão. Ela era, no começo do século XXI, a dona da tecnologia mais promissora para mobilidade, e tinha mais de 90% de market share. Porém uma sequência de mancadas administrativas afundou a empresa. Entre elas:
  • Em 2001 o novíssimo Tungsten executava seus programas em um processador ARM e seu sistema operacional PalmOS 5. Em 2008 o smartphone Palm Centro ainda usava o mesmo processador e o mesmo sistema operacional!
  • Em 2007 a empresa estava para lançar uma revolução: O Palm Foleo, que era um notebook super leve, com tela pequena, somente para acessar a internet. Ao apresentar para o mercado, vários analistas não entenderam aquele equipamento que ficava entre um notebook e um netbook. A empresa, faltando meses para o lançamento, desistiu do equipamento. 6 meses depois a Asus fatura alto com o conceito de netbook, um equipamento leve, simples, para acessar a internet. O conceito evolui até agora, com os chromebooks
  • Os recentes lançamentos, como o Palm Pre, foram chamados de iPhone-killer. Porém por pouca distribuição aos revendedores, e parcimônia no investimento, o produto é raro e o novíssimo WebOS não lista nem nos novos sistemas operacionais para tablets. 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Turista Tecnológico

Farei um post diferente dessa vez, relatando minha experiência de viagem tentando extrair o máximo da tecnologia dos dias atuais. São coisas que estão completamente acessíveis para qualquer pessoa comum, porém pelo que vejo ainda parece surpresa para a maioria.

GPS e Mapas Locais Gratuitos

Há muito tempo tenho fascínio por GPS. Basicamente é um rádio que recebe sinais de satélites e calcula sua posição. Para muitos leigos, GPS é algo para se ter no carro, ou é algo grande, porém não consigo mais viajar sem meu GPS de mão munido de mapas dos locais onde vou visitar.

O grande barato aqui são os mapas dos locais. Sejam pagos (https://buy.garmin.com/shop/buymaps.do) ou gratuitos (ver lista abaixo), a praticidade que ele lhe oferece é tanta que eu diria que os guias de turismo estão com os dias contados. Usando um GPS Etrex HC da Garmin e um mapa gratuito, eu pude durante minha última viagem:

GPS Etrex e mapa da Europa

  • Saber exatamente em que cidade, rua ou parque eu estava.
  • Saber quanto tempo demoraria para chegar em algum ponto.
  • Procurar restaurantes, lanchonetes ou supermercados mais próximos d'onde eu estava, recebendo a distância, o endereço e inclusive o telefone de lá. O GPS também me guiava através de setas como chegar ao local.
  • Procurar pontos de transporte, como pontos de ônibus, estações de metrô, aeroportos, etc.
  • Ver o percurso que estava fazendo de carro, evitando enroladas de taxistas com percursos mais longos, etc. 
  • Procurar praças ou parques próximos para descansar.
  • Procurar hoteis ou pontos turísticos.
 Meus amigos que viajavam comigo se espantavam quando eu saía do metrô e já dizia 'nosso hotel é naquela direção, duas quadras'. Existem muitos mapas gratuitos facilmente baixáveis para aparelhos da marca Garmin. Infelizmente não parece ser tão fácil encontrar mapas gratuitos para outras marcas.


Para viagens a pé, recomendo muito os GPS de trilha, pois são mais resistentes (queda, água, etc.) e robustos. Porém nada impede de usar um GPS veicular para seus passeios. Todos da Garmin permitem o uso tipo pedestre, e irão funcionar muito bem. 

Preparar roteiros com Mapas e informações on-line

Fui por muito tempo adepto dos guias de viagem. Eles pareciam ser as melhores opções para descobrir coisas que um viajante comum passaria batido. Porém isso acabou com a Internet. Mesmo que ainda não tenha nascido um site único de planejamento de turismo perfeito, a grande rede pode fornecer toda informação necessária que um viajante precisa para aproveitar o máximo de seu passeio. Pontos turísticos, locais interessantes, roubadas, tudo pode ser acessado e pesquisado. É claro que isso exige um esforço prévio, porém se bem feito irá deixar a viagem muito mais a cara do viajante (ou muito mais compatível com o bolso!).
Street View nas ruas de Paris

Obviamente os mapas do maps.google.com ou outro similar também são uma mão na roda! Você pode já ter uma idéia de locais próximos, ou pontos de metrô nas redondezas d'onde pretende ir. Melhor do que isso é mesmo estar virtualmente no local, usando o Google Street View (http://maps.google.com/help/maps/streetview/) . É incrível ver que ainda tem tanta gente que não conhece o Street View, e ao mesmo tempo vê-los maravilhados com o passeio virtual possível com ele.

Outra tecnologia também muito boa é a própria visita virtual a um local. Um exemplo me marcou: A Capela Sistina. Se você vai lá durante o verão, não é nem um pouco uma experiência transcendental como se espera. O local é lotado, barulhento, gente lhe esbarrando todo o tempo, além dos guardas nem um pouco simpáticos reclamando e mandando as pessoas fazerem silêncio (aos berros !). Muito melhor foi minha experiência virtual, acessível aqui - http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/index.html . Você pode olhar com calma, dar um zoom, se ambientar mesmo! É claro que não é a mesma coisa, mas vale uma visita antes ou depois de ir conhecer a coisa real.

Comunicação remota

Passou-se o tempo que ligar para casa ou estar em contato no exterior era difícil. Sinceramente só paga caro por ligação internacional quem quer! Primeiramente temos o bom e velho Skype. Com R$25 em créditos, comprados via cartão, fizemos várias ligações durante toda a viagem, além de mandar vários SMSs para amigos e familiares. Para isso, na Europa, bastou ter um smartphone ou um netbook levinho com Skype. Ótimos locais de conexão são os Starbucks e as McDonnalds, que tem rede WI-FI livre. 

Para acessar dados livremente com um smartphone, uma boa solução que encontrei (fora as redes WI-FI livres) foram os chips MaxRoam (http://www.maxroam.com) ou similares. São companhias telefônicas especializadas em turistas ou imigrantes, com taxas bastante competitivas. Os chips também permitem acesso a dados, apesar de não ter um preço assim tão bom. Mas para uma tuitada básica, vale a pena!

A dica para receber ligações no exterior sem a pessoa que está ligando pagar nada e você pagando muito pouco (tarifa do Skype) é configurar um número SkypeIn redirecionando para um chip que você comprou no exterior! Peguei a dica do blog http://www.viajenaviagem.com/2009/03/o-jeito-mais-barato-de-usar-o-celular-no-exterior-dica-do-frugal-traveler/ . Resumi o uso no diagrama abaixo. O SkypeIn deixou de funcionar por um tempo no Brasil (2011), mas já vai voltar. Existem outros serviços de números virtuais também, basta pesquisar.
Usando o SkypeIn e um chip extrangeiro para receber ligações do seu celular numa viagem
Ao final da operação, a pessoa que lhe ligou vai pagar a tarifa normal que já pagaria, e você irá pagar uma ligação normal do seu celular (tarifa do seu siga-me) mais uma tarifa do Skype, que para a maioria dos países da Europa será algo entre R$ 0,50 e 0,75. Não é de graça, obvio, mas é muito barato e compensa para aqueles que querem ter a comodidade da sua mãe (ou o patrão) ligar a qualquer momento facilmente.

Realidade aumentada

Aqui vou apresentar somente uma ferramenta: O Google Goggles (http://www.google.com/mobile/goggles). Mas ela sozinha já é algo incrível (se você tiver conexão de dados no seu smartphone). Basicamente é um software que você aponta a sua câmera do seu smartphone para algo, e o software diz o que aquilo é. Não importa se é um livro, um jogo, uma garrafa, uma obra de arte ou um ponto turístico. Ele simplesmente irá lhe falar o que é aquilo e dar detalhes. Imagine aqueles audioguides que lhe dão nos museus. Pois é como se fosse um audioguide do mundo! As possibilidades são infinitas:

  • Ao visitar um museu, apontando o celular para uma obra, tem-se todo o histórico dela.
  • Ao comprar um livro, apontando-se para a capa, tem-se todos os preços de outras livrarias e reviews.
  • Ao andar pela cidade e chegar a uma estátua desconhecida, pode-se saber de quem é e sua história.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Tablets e iPads na escola: Tiro no pé ou revolução?

Enquanto escrevo, tramita entre os políticos as idéias sobre a redução de impostos para tablets e a inclusão de leitores digitais (e-readers) com isenção. Já manifestei aqui no blog meu total apoio ao e-reader, e comentei como esse equipamento tão simples pode mudar bastante o material didático e de consulta (leia mais nesse post sobre e-readers). Porém minha opinião muda bastante a respeito dos tablets. Serão eles também tão positivos na escola?

Diferente de um livro eletrônico (que tem como função única a leitura), um tablet é um computador completo, de fácil manipulação, e uma ótima ferramenta para consumo de informação. Um tablet é ótimo para acessar páginas, e-mails, jornais, vídeos e joguinhos do tipo Angry Birds. Porém ele não é uma boa ferramenta para criação de conteúdo. Redigir um texto, editar um vídeo ou montar um banner são funções que se tornam maçantes usando uma interface touchscreen.

Sim, a escola é um local de consumo de informação, mas já dizia Paulo Freire e Piaget, o recebimento unilateral de informação por parte do aluno não é uma proposta pedagógica aceitável. Essa escola arcaica, onde o professor (ou o tablet) é o dententor da informação e único 'repassador' é totalmente contrária as idéias de construtivismo, de protagonismo juvenil e de pedagogia da autonomia.

Software educacional, onde estas?


Cito sempre esse caso em minhas aulas: Um empresário tem uma loja e decide informatizá-la. Compra 5 computadores potentes, contrata um link de Internet e deixa tudo a disposição dos funcionários. A produtividade irá aumentar? Não! Claro que não! Irá cair! Computadores não são amuletos de produtividade, já que sua presença não garante que os funcionários irão vender mais. A resposta para produtividade é software. Informatização necessita de softwares que venham a auxiliar e agilizar os processos na empresa.

A mesma coisa podemos levar aos tablets na escola. Sua simples presença irá causar distração, desorganização e apatia para com o conteúdo didático. Esses equipamentos são fantásticos, mas como entretenimento. Nenhum deles sai de fábrica com softwares que de fato venham a colaborar com o professor.

A solução é a instalação de softwares educacionais nas máquinas. Porém vários problemas brotam aqui:

  • Pouquíssima oferta: A grande maioria dos softwares ditos educacionais não foram feitos com apoio de um pedagogo. São aplicações de coisas práticas (como um applet que calcula trajetórias de física ou um programa que mostra a tabela periódica de forma mais ilustrada). Esses aplicativos no maximo ilustram uma aula, mas não participam de fato na construção do conhecimento.
  • Nenhum critério pedagógico para a escolha: A maioria Todas as escolas que estão adotando tablets atualmente o fazem para mostrar um ar de vanguarda, porém com pedagogia zero. Os aplicativos são escolhidos por técnicos de informática ou nem isso.
  • Pouco treinamento: A classe de professores historicamente (e vergonhosamente) é aversa a tecnologia. Muitas vezes os laboratórios de informática são usados como descanso do professor, que deixa alunos usando algum software educativo com pouca ou nenhuma ligação com o conteúdo, ou na pior das hipóteses passa uma 'pesquisa' a lá wikipedia, no melhor estilo CTRL+C CTRL+V.

De fato a grande maioria dos professores não vê as possibilidades reais de um computador programado para o ensino. Mas esse problema não tem solução fácil: Enquanto não houver programadores com um bom suporte de um pedagogo, ou pedagogos que saibam programar, não haverão softwares educacionais.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Faça as pazes com seu passado

Li hoje no twitter do escritor mal compreendido de best sellers Paulo Coelho (@paulocoelho) uma frase que coincidentemente comentei em uma conversa essa semana:
Faça as pazes com seu passado, ou ele destruirá o presente.
(O Aleph)
 Discussões a parte sobre opinião sobre o Paulo Coelho (particularmente comecei a gostar dele quando participou do Nerdcast, se mostrando uma pessoa sincera, direta, e bastante nerd!), acho que muita gente deveria se conectar mais com o seu passado, e aceitar que esse passado é o que faz você ser o que é hoje.

Arrependimento

Muita gente carrega arrependimentos e mágoas, e se pudesse apagaria tudo da mente. Eu mesmo costumo fazer uma careta involuntária toda vez que lembro de algo que fiz que prejudicou alguém, ou alguma decisão que teve consequências marcantes. É uma pena que tenha que lembrar dessas coisas. Mas é importante que se lembre dessas coisas. São essas más lembranças que nos lembram que somos imperfeitos, que podemos falhar conosco e com os outros. E que nos impedem (ou tentam) de repetir os erros.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004)

A situação é bem relatada no ótimo filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, onde Jim Carrey faz um cara inseguro que tem que lidar com a situação de saber que sua ex-namorada o deletou de suas memórias. O filme mostra bem essas coisinhas de casal: Briguinhas por besteira, irrelevantes no começo, mas gotas d'água no fim da relação. Mostra essa coisa maluca que é amar, e muitas vezes odiar alguém que se ama.

É algo bem sentimental, mas tem uma lógica: Quando se ama você se abre para a pessoa. Essa pessoa conhece seus pontos fracos. Dai quando há um desntendimento esses segredos são usados contra você. E você fica com uma raiva múltipla: Primeiro pela traição de se usar seus pontos fracos, e segundo porque foi você mesmo quem entregou a faca para receber a punhalada, ainda mais para a pessoa que você mais gosta! Tu quoque, Brute, fili mi?

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Por que a Educação a Distância não funciona?

A lenga-lenga é sempre a mesma: O mundo mudou... era da informação... Google... blá blá blá... etc. E o respingo disso tudo na educação tem um nome: Educação a Distância (ou EaD). Lindo no papel. Na prática estão fazendo tudo errado!

EaD já não é novidade. Basicamente é um professor ensinar estando em um local ou tempo diferente do aluno. Também se pegarmos o histórico de EaD, não é nada recente. Sua história data da época da Grêcia e Roma antiga, quando as correspondências começaram a levar informação de forma mais sistemática.

Dai já podemos analisar: EaD não nasceu com o computador, e sim com os cursos por correspondência! Lembro de ter achado vários materiais dos cursos do Instituto Universal Brasileiro que meu pai fazia. Era muito comum encontrar em revistinhas em quadrinhos as propagandas do IUB.

Por que EaD deveria funcionar?


  • Material didático: É melhor! Ou deveria ser. Livros não são clicáveis. As vezes nem cores tem. Livros não são dinâmicos, não mostram formulas de física exemplificadas com um diagrama com movimento. Livros não podem ter vídeos atrelados. As possibilidades de material didático para EaD são tantas, que nem se considera mais material didático. Sem contar as possibilidades de colaboratividade com softwares tipo wiki, onde os próprios alunos podem construir juntos seu material didático.
  • Acesso aos melhores professores: Pelo menos em tese, isso é uma super vantagem! Um professor não tem condições de lecionar para muitos alunos. E alunos as vezes não estão aonde os bons professores estão. A EaD retira a lacuna do espaço e assim é possível ter muita gente bebendo da fonte do conhecimento. 
  • Educação para quem não tem tempo: O mundo capitalismo é cruel: Ao mesmo tempo em que diz que você deve sempre estar atualizado, lhe cobra que esteja no mercado trabalhando. Então para essas pessoas, a EaD pode ser a solução: Estudar em casa em horários flexíveis. 
  • Avanço em degraus: Um sistema de EaD bem feito obriga o aluno a acompanhar. Quando você está numa aula presencial e com a cabeça na lua, você perdeu àquela aula. No EaD (em CNTP) existem pequenos testes a cada mini-etapa, que lhe obrigam a estar atento para responder. Se você não estava atento, pode repetir o conteúdo quantas vezes quiser. Como cada um fica no seu ritmo, só se atrasa quem não prioriza. 

E afinal o que está sendo feito de errado?

O que se vê na grande maioria dos sistemas de educação a distância por ai é simplesmente que estão tentando usar a tecnologia nova para reproduzir conceitos velhos de educação. É o velho escrevendo com carvão na parede da caverna para os jovens (veja meu post por que a escola não funciona).

  • Pouco ou nenhum conteúdo portado especialmente para EaD: Por falta de interesse, conhecimento ou ignorância mesmo, os professores formadores, responsáveis pela criação dos cursos, não transportam os materiais para o formato multimídia ou hipertexto. São os velhos textos longos, não ilustrados de sempre. 
  • Professores tutores não conhecem os conteúdos: O tutor do EaD faz um papel indigno por sua simplicidade: Ele está lá para puxar orelhas. Na grande maioria dos casos, ele não conhece (ou não tem interesse em conhecer) os conteúdos. Seu trabalho se restringe a analisar estatísticas de acesso e intermediar contatos. 
  • Alunos dão pouca prioridade ao EaD: A vida ocupada, a família, o lazer, tudo acaba sendo prioritariamente mais importante do que a educação à distância. Pouquíssimos alunos incluem seus cursos de EaD em sua agenda semanal. Provavelmente entram no EaD somente quando estão ainda empolgados (no início) ou muito aperreados (no final), minando por completo o processo. 

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Filme: Impacto Profundo (1998)

Lendo recentemente sobre o asteroide que irá passar daqui a alguns meses, em novembro de 2011 (Leia mais em http://eternosaprendizes.com/2011/05/03/2005-yu55-um-asteroide-de-400-metros-vai-passar-entre-a-lua-e-a-terra-em-novembro-de-2011/), não pude deixar de lembrar do melhor filme de ficção científica tipo catastrofe, Impacto Profundo (Deep Impact - veja mais no IMDB). 

O tal asteroide de 2011 não trará riscos para nós, como tudo indica. Riscos muito maiores corremos com o 99942 Apophis, que dependendo do desvio que receber da gravidade da Terra em 2029, terá chances de nos atingir em 13 de Abril de 2036. Se a possibilidade de impacto se confirmar (o que saberemos somente depois de 2029), tenho certeza de que o cenário mundial será muito similar ao do filme em questão. 

O filme Impacto Profundo foi, na sua época, eclipsado por outro mais famoso, o Armageddon (1998), que como muito filme americano, pega um tema bom e resume tudo a um amor de um astronauta (Ben Affleck) e sua garota (Lyv Tyler). Ponha um ator famoso (Bruce Willis), cenas catastróficas no meio, e os Estados Unidos salvando o mundo no final para fechar o tema importante como mais um clichê cinematográfico. Uma pena, porque vários elementos importantes da sociedade humana simplesmente não estão presentes no filme Armageddon, e que ao meu ver são exatamente os pontos que importam caso a humanidade esteja a beira da possibilidade de acabar.

Humanidade e o terror da morte

O filme primeiramente trata dos seres humanos. Dos seus medos e de seus amores. O espectador passeia por esses sentimentos ao ver a reporter (primeira a descobrir que o governo encobre o asteroide) que não pode salvar a mãe por já ser velha (somente os mais novos podem pleitear uma vaga nos bunkers). Vemos também um jovem astrônomo amador (Elijad Wood) fugindo do medo de estar só e casando-se com sua também pré-adolescente namoradinha. Temos um presidente americano (Morgan Freeman espatacular!) impedido de fazer muito porque não há nada a fazer, a não ser tentar evitar que a própria sociedade se mate antes de morrer de vez com o impacto. Obviamente há uma tentativa de se salvar a Terra, mas que diferente de Armageddon, não dá completamente certo. Ao final temos a certeza de que somos poeira espacial, de que o espaço é algo muito perigoso para uma raça frágil como a nossa, e que se um asteroide realmente estiver em rota de colisão com nosso planeta, no atual estágio tecnológico, não há muito o que se fazer, a não ser torcer que sobre alguém pra contar a história. 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Filme: Um Visto Para o Céu (1991)

Semana passada encotnrei zapeando na tv o filme Um Visto Para o Céu (1991) - IMDb, e que há muito tempo usava como referência a um suposto julgamento da nossa vida após a morte. O filme não é um grande sucesso (acho que a Meryl Streep nem era famosa nessa época), mas tem o mérito incrível de falar de vida após a morte e reencarnação sem tocar nenhuma vez em religião. E isso já faz ser um filme memorável!

OK, ok... alguém pode falar que tudo que é mostrado no filme é bem uma visão espirita da evolução da alma. Pra falar a verdade, o filme se assemelha em muitas coisas com o recente filme brasileiro Nosso Lar (http://www.imdb.com/title/tt1467388/), só que de uma forma mais burocrática e menos cara de anjo (que é aquele sorriso sem graça que todos os figurantes de filme no ceu tem que fazer!). Todas as questões existenciais que o personagem faz são respondidas com um sincero você não vai entender, se eximindo então de entrar em zonas mortais perigosas da discussão religiosa.

Como disse antes, a comédia é bem lenta e pouco empolgante, mas os moldes do julgamento são fascinantes. Basicamente você evolui a medida que perde o medo, que basicamente é o que une todas as almas não-evoluidas do planeta Terra. No julgamento, Daniel Miller (o protagonista) revê os constrangedores momentos de sua vida em que o medo guiou seu destino, como quando deixou de ganhar dinheiro por não investir em algo arriscado, ou quando não pode fazer um discurso diante de uma multidão.

Você tem medo de que?

Acho que o plot do filme é bastante atual porque o tema medo é mais do que recorrente nos dias de hoje. Hoje vivemos a sociedade do medo. Se pensarmos bem, grande parte de nossos movimentos são derivados do medo que nos é jogado na cara. E não estou falando de terroristas e violência somente. A mídia guia seu rebanho falando do medo da morte, medo de envelhecer, medo da violência, medo da rejeição, etc. O medo guia orçamentos para as guerras, guia relacionamentos para submissão, guia pensamentos para eventos paliativos (copas, olimpiadas) no melhor estilo pão e circo.

A violência, filho primogênito do medo, televisionada nos programas policiais durante nosso almoço, nos diz uma coisa clara todo dia: Tenha medo! Não saia de casa! Julgue os negros e os marginais... pois eles são os párias vagabundos que querem lhe matar por 2 reais. Dai você pode, com um sorriso no rosto, comprar condomínios fechados, contratar segurança particular, colocar fumê e alarme no carro, grades, câmeras, e... no final de tudo... votar nos apresentadores desses programas violentos para serem seus deputados e vereadores. No fim, tudo vira comércio e política poder. E você é o hamster que roda a rodinha.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Por que Asimov é um dos seres humanos a parte?

Esse vídeo de 1988 de Isaac Asimov mostra como ele conseguiu prever o impacto dos sistemas de informação modernos na disseminação da informação. Sites como Wikipedia, com seus artigos linkados, permitindo a navegação de tópico a tópico, são um perfeito exemplo de educação construtivista, onde o estudante busca a informação da sua forma, na sua velocidade e de acordo com os seus interesses. Vejam o vídeo:


Crítica ao vídeo de Asimov

Infelizmente nem tudo são flores. Um crítico poderia bradar que de fato todo esse fácil acesso a informação aconteceu, mas que não houve nenhuma revolução da educação como Asimov preveu. Uma utopia pedagógica, talvez. Hoje temos um mundo inundado de informações cada vez mais rápidas, e a dificuldade não é acessar a informação, mas filtrar o que é relevante e importante para o usuário no mar de dados da Internet. O que houve de errado?

O que Isaac Asimov não previu é que da mesma forma que os sistemas de informação diminuiram a distância entre o estudante e o conteúdo, esses mesmos sistemas diminuiram a distância entre o estudante e os meios de entretenimento! Você hoje tem tudo multiplicado: Se antes conversava com 8 ou 10 amigos, hoje você pode fazer isso com centenas ao mesmo tempo! Se antes você tinha um Atari com 5, 7 cartuchos de jogos, hoje você tem milhares de opções acessíveis a um clique! Se você tinha orgulho de 2 ou 3 revistas pornográficas escondidas, hoje qualquer pessoa pode ter acesso a qualquer tipo de pornografia imaginada! O mundo ficou pequeno com as telecomunicações. Com o advento da internet e seus meios de entretenimento, ele ficou minúsculo e muitas vezes até desinteressante! O mundo através da tela é sempre chamativo.

Vende-se um minuto de atenção

A disputa comercial pela atenção do usuário também atrapalha muito o estudante em busca de conhecimento. São tantas as estratégias de sites como o Facebook para manter seus usuários navegando somente por ali que hoje é normal ver estatísticas de pessoas que passam horas do seu dia em sites de relacionamento.

No final, fica sempre a questão: A escola se tornou um local desinteressante! O mundo lá fora é muito mais interessante, divertido, colorido e musical! A revolução que Asimov preveu tinha tudo para acontecer, se a Internet continuasse não-comercial.

sábado, 2 de abril de 2011

Por que o software livre é positivo para a humanidade? Parte I

No mundo da tecnologia existe uma eterna rivalidade entre o software comercial e o chamado software livre, que rende muitas piadas, discussões, e em alguns círculos, muitas intrigas! Diferente do que muita gente pensa, eu acho a discussão idiota irrelevante hoje em dia. Sim, eu uso majoritariamente software livre em meu computador, e faço sim propaganda dele. Mas tirando o idealismo, quando mostro o software livre para alguém é porque realmente acredito que suas funcionalidades são a solução para muitos problemas do usuário comum.

Software proprietário não é só Microsoft!

Incrível o número de pessoas que remete automaticamente o nome Microsoft ao falar de software comercial. Esquecem que Corel, Apple, Adobe, Norton... todas as grandes empresas que conhecemos trabalham com o modelo comercial de software. E esse modelo de mercado tem sua importância! Se não fosse a Microsoft e a Apple, e seu modelo comercial de software, talvez o computador ainda estivesse restrito a uma gama de Nerds e Universidades!

Software Livre não é Software Grátis!

Outro erro comum entre a massa. Software livre é um software que vem junto com o código-fonte, o que permite que possamos alterá-lo. Também implica que esse software tenha uma licença de uso que diz que todas as alterações que eu fiz possam ser redistribuídas a outros usuários, e que esses também possam alterar o programa. Tecnicamente eu posso até vender esse software, mas obrigatoriamente terei que incluir o código-fonte dentro.

O que significa usar o código-fonte para alterar um programa? Pense no código-fonte como uma receita de um bolo, e o software como o bolo. A Microsoft é uma padaria que vende o bolo pronto, mas não dá a receita para ninguém (porque acha que o bolo dela já é perfeito). Se você comprou o bolo, mas não gosta de alguma coisa nele, não tem muito o que fazer senão engolir! Já outras padarias, adeptas do bolo livre, distribuem junto do bolo a receita do tal! Você pode mudar essa receita (retirando por exemplo àqueles cravos da índia, eca!) e deixar o bolo mais a sua cara! Qual a condição? Que se você der o bolo pra mais alguém, que mande junto a receita!

Quem criou o software livre, e como ele vive se não vende seu produto?!

O software livre é criado em grupo. Foram milhares de pessoas juntas, cada uma fazendo uma pequena parte, com a coordenação de um grupo maior, que criaram os softwares maravilhosos, que se equiparam aos softwares comerciais por ai! Quem colaborou, doou uma parcela de seu tempo pelo software, e no final ganhou o software completo para usar! As pessoas que trabalham com software livre ganham a vida dando consultorias, fazendo instalações e cobrando por personalizações, um mercado cada dia maior (eu mesmo passei muitos anos colaborando e vendendo serviços atrelados à SL).

Motivos para se usar software livre em casa:

  • É gratuito: Dai você pode parar de fazer pirataria! Lembrando que o uso de software pirata é um risco imenso para a segurança dos dados do usuário. 
  • É seguro: Como o software está em constante revisão por centenas de programadores diferentes, bugs e falhas de segurança são rapidamente fechadas.
  • É imune aos vírus: Devido a sua característica de segurança em primeiro, os códigos maliciosos que tanto atormentam os usuários windows não executam no linux. Mesmo se executarem, não alteram o sistema (já que por default o usuário linux não tem permissão para isso). A falta de popularidade (ainda) também influencia na não-existência de pragas virtuais. 
  • Há programas: Para quase todo software proprietário, existe um similar em funcionalidade. Pode não ser idêntico, mas precisa ser?
Obviamente existem motivos para não usar. Um deles é a falta de popularidade: Dai você recebe um arquivo proprietário (DOCX, CDR, etc.) ou quer testar um jogo, e estes não rodam (ou abrem precariamente) no Linux. Para muitos, isso já é motivo suficiente para não usar! Mas se o usuário final medisse melhor os prós e contras, talvez tivesse menos preocupações com infecções e perda de dados. 

quinta-feira, 31 de março de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

Wow message! A mensagem alienigena!

Desde que o homem entendeu que não era o centro do universo, e que compreendeu que seu sol não é nada mais do que uma estrela ordinária, em uma galáxia ordinária (dentre as BIlhões outras), a humanidade logicamente se perguntou: Estamos sós no universo? Logo dois tipos de pessoas, impulsionadas por essa questão, começaram a estudar à sua maneira as idéias sobre o assunto: Os ufólogos e os astrônomos.

Astronomia todo mundo conhece: O estudo científico dos astros (não confundir com astrologia, a pseudo-ciência que viaja na maionese).  Já a ufologia é a pseudo-ciência que tenta provar, classificar e estudar os Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) e seus ocupantes. Infelizmente Com razão a comunidade científica não apoia a ufologia já que esta não utiliza o método científico para embasar suas pesquisas.

Bom, se tem uma coisa que esse símio que vos fala acredita é que sim, existe vida fora da Terra (veja meu post anterior falando sobre isso: Por que há vida fora da terra?). O grande problema é que, de acordo com as leis da física (até que se prove o contrário, vale para nós e para eles), nada viaja acima da velocidade da luz. E com um universo tão grande, ter um visitante alienigena por aqui é bastante improvavel.

Comunicação à velocidade da luz

Felizmente existe uma forma de se viajar a velocidade da luz: Ondas de rádio! As ondas eletromagnéticas viajam livremente pelo espaço e podem ser um veículo perfeito plausível para o nosso primeiro contato com outra forma de vida inteligente. A comunidade científica abraça a idéia, e desde a década de 70 vários estudos, tanto de emissão de mensagem quanto de busca de mensagens foram realizados. A mensagem de Arrecibo foi a mais famosa tentativa humana de mandar um recadinho para nossos vizinhos. O projeto SETI, muito bem mostrado no filmaço 'Contato' é a nossa tentativa de ouvir mensagens de fora.

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O que muitos não sabem é que essa busca por sinais extraterrestres renderam um resultado. Ele foi ouvido uma única vez, num intervalo de pouco mais de um minuto, sendo transmitido da constelação de sagitário. Essa mensagem é hoje chamada de Wow message, devido à inscrição que seu descobridor, Jerry Ehman, colocou ao lado do código que indicava a recepção de um sinal fortíssimo, no dia 15 de agosto de 1977.

O sinal foi emitido somente uma vez, na frequência 1420,456 MHz (frequência do Hidrogênio) e infelizmente após várias tentativas de apontar antenas para aquela região, nada mais foi encontrado. Porém várias características do sinal (intensidade, tempo de recepção, frequência) encaixam perfeitamente nas características de uma transmissão não natural, com a intenção de contato extraterrestre. Provavelmente nossa primeira prova de vida alienígena, não alardeada pelo simples fato de ter sido recebida só uma vez!

Mas se estamos procurando há mais de 30 anos, porque só recebemos uma mensagem? E as milhares de civilizações que estariam pelo universo, de acordo com a equação de Drake? Infelizmente o espaço é muito grande. E procurar sinais assim é muito pior do que agulha no palheiro. Encontrar um sinal envolve apontar a antena para a coordenada exata, na hora exata de uma transmissão. Também temos que torcer para que nossas civilizações estejam coincidentemente no mesmo nível tecnológico (se uma civilização descobriu o rádio 100 anos antes de nós, os humanos perderam a mensagem por pouco, porque ainda não estavam preparados para ouvir!). Sem contar problemas com o tempo de transmissão (uma mensagem vinda da estrela mais próxima demora 4 anos para chegar aqui), são muitas variáveis para bater.

O que importa é que só agora instalamos nosso telefone estrelar. Ainda é pouco tempo para tirarmos conclusões. Talvez estejamos na freqüência errada? Talvez a mensagem seja muito rápida? Ou muito curta? O que importa é que mantenhamos nossas antenas e nossa mente abertas para o que o espaço tenha a dizer.

Saiba mais sobre a Wow! Message no link http://www.damninteresting.com/the-wow-signal

quarta-feira, 9 de março de 2011

Achismos, Power Balance e idiotice coletiva

Li recentemente o post “Mas comigo funciona!” do site http://www.ceticismoaberto.com, que explica dentre outras coisas  sobre o efeito placebo, sugestionabilidade e correlação, e mostra como se proteger em uma pesquisa desses falsos positivos, usando técnicas para impedir a sugestionabilidade nos testados (caso controle) e nos testantes (duplo-cego). O texto já explica de forma primorosa todas as situações, por isso vou passar para uma análise mais antropológica da coisa: Por que os seres humanos não testam suas hipóteses? 
Amuletos. Seus usuários acreditam na superstição de que seu uso garante poderes mágicos
Outro dia no elevador, comentei com minha esposa que meu óculos estava me dando dores de cabeça (provavelmente indicando que preciso checar minha miopia). Um senhor freetalker ouviu e comentou que não acreditava nos óculos, e achava que óculos eram coisas para prejudicar as pessoas! Uau! Isso sim é que eu chamo de um idiota conspiracionista!

Conspiração, eu quero uma pra viver!

Já perdi as contas de quantas vezes eu constrangi amigos por repassarem bobagens e achismos, tanto pela internet quanto em rodas de conversa. São àqueles velhos casos de marcas na caixa do leite, meninas desaparecidas, doenças terríveis, homem na lua, etc. E são coisas repassadas como verdades inquestionáveis, mas que nenhuma dessas pessoas fez o mínimo movimento de pensar e se questionar da verdade daquilo. Coisa que seria contestada facilmente com uma acessada no google.

Outro holograma que fazia bem a humanidade
A última bobagem moda que apareceu foi uma pulseira de silicone com um holograma (!?) mágico nela, chamado de Power Balance, e que clama trazer benefícios de maior equilíbrio para o idiota usuário que a tem no braço. [espaço reservado para um palavrão daqueles!] Como é que pode alguém acreditar numa balela dessas?! Sério... se for pra inventar uma lorota assim, não era mais lógico (ou poético) colocar um pedaço de pedra, ou um metal raro (ou dizer que é raro) e fazer demagogia ligando as "propriedades" do ítem com os benefícios? Mas não! Eles colocaram um holograma!!! Acho que a última vez que alguém distorceu assim o conceito científico de holograma foi na série Automan, em que um policial gênio da informática cria um programa de computador, seu alter-ego, que se materializa em forma de um holograma (?!) para combater o crime!

Minha aversão à mídia me fez perder o bonde dessa tal power balance. Quando soube da história, o fabricante já estava sendo forçado a falar a verdade: Que seu produto não tem nenhuma propriedade cientificamente comprovada. Fico imaginando eu propondo uma verificação simples, com testes cegos, usando o Wii e a balance board para ver provar pros incautos a grande bobagem que eles compraram!

Navalha de Occam sobre esportistas comprovando a power balance: O que é mais fácil? Um esportista como Barichello testar a pulseira e depois comprovar, dai ajudando a vender milhões; ou o patrocinador pagar para ele usar, ele "comprovar", dai ajudando a vender milhões? Pense! 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Finalmente um astrólogo olhou pro céu novamente

É com muita alegria que vejo essa notícia estampada na maioria dos grandes portais de notícia do mundo:

G1 - Movimento da Terra mudou signos do Zodíaco, dizem astrônomos - notícias em Mundo

Astrônomos do Planetário de Minnesota, nos EUA, afirmam que, por causa da atração gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra, o alinhamento das estrelas foi empurrado por cerca de um mês. [...] “Quando [os astrólogos] dizem que o sol está em Peixes, não está realmente em Peixes”, disse Parke Kunkle, um dos integrantes do Minnesota Planetarium Society à revista "Time". O signo astrológico é determinado pela posição do sol no dia em que a pessoa nasceu, o que significa que, de acordo com os astrônomos, tudo o que se sabia sobre horóscopo está errado.

Até que enfim! Um astrólogo (ou um astrônomo sagaz!) olhou para o céu novamente para rever os conceitos furados da astrologia! Não só os signos não seguem o alinhamento que os astrólogos diziam, como um novo signo apareceu na jogada: Serpentário.

Tirei a prova dos 9 com um programinha aqui que tenho que é sensacional: Stellarium - que mostra o ceu, constelações e o escambau em qualquer local do planeta, e em qualquer data do calendário gregoriano. Digitei minha data e local de nascimento e fui rever onde estava o sol no dia. Pimba! O resultado é claro e simples: Meu signo não é sagitário, e sim serpentário!
Posição do sol no dia do meu nascimento
Sinceramente, qualquer ser humano que se questione minimamente sobre as bases dessas superstições verá que tudo não passa de uma construção humana, de uma simples associação de idéias sem um fundo de verdade.

Adorei ter mudado (ohh que diferença!) para serpentário. Além de não poderem comparar minha personalidade com a do novo signo, ainda gostei do sentido simbólico: Eu como uma serpente injetando meu veneno de questionamento nas mentes incautas! Sim... sentido simbólico... horóscopo é isso e nada mais!

Lições de vida do PacMan

Recebi essa piadinha sobre as lições de vida que o videogame PacMan daria para os seres humanos. Acho muito bacana esse revival de coisas dos anos 80 (menos as bandas coloridas!), principalmente as coisas nerds. Mas essas lições podem ser um bom exercício de reflexão séria. Talvez o PacMan realmente tenha algo de útil a acrescentar às nossas vidas:
  • Coma: Comer é um tipo de prazer que lhe mantém vivo. Lhe dá energia para prosseguir. E pode ser um prazer! Então o PacMan nos diz aqui que devemos aproveitar os prazeres da vida, ou pelo menos àqueles que nos mantém em pé. Lembrando que não há saúde sem saúde mental, então assistir um filme, ir ao teatro, tomar umas cervas com os amigos também são parte do comer do PacMan.
  • Evite bad people's: Pus em inglês o termo porque ele acaba sendo mais amplo: Existem àquelas pessoas que lhe pôem pra baixo, ou àquelas pessoas que estão tão mergulhadas em seus devaneios da vida que são repetitivas, estáticas (ver próximo ponto), ou mesmo aqueles empregos que você todo dia se pergunta 'o que estou fazendo aqui?'. Infelizmente você deve, após um certo tempo, largar essas pessoas. Estar ao lado de pessoas pessimistas e negativas não levam ninguém ao próximo nível.
  • Passe para o próximo nível: Essa é a mais difícil (assim como no videogame). Passar de nível na vida é seguir, mudar. Casar-se, fazer àquele mestrado ou curso, terminar o curso de inglês ou francês, largar aquele ficante ridículo... enfim, dar outro passo! Mudar faz parte da vida, do jogo, e por mais cômodo que seja permanecer aonde está, você só muda quando se movimenta. As vezes a inércia da mudança vêm dos outros, dos grupos. Dai você permanece num grupo que faz ano após ano as meeesmas coisa, feriado após feriado, fim de semana após fim de semana... são as bad people's ancorando suas experiências e sua vida.