quinta-feira, 1 de julho de 2010

Por que não nos preparamos para a morte?


Outro dia lembrei do filme do Conan (é o novo!) e da raça de ciclopes apresentada no filme. Os tais ciclopes tinham 2 olhos, mas fizeram um acordo com uma bruxa e trocaram um dos olhos pela possibilidade de ver o futuro. A bruxa os enganou e a única coisa no futuro que eles viam era a cena própria morte. Se tornaram assim um povo triste.

Hoje em dia estamos completamente despreparados para a morte. Morrer não é contemporâneo! Se eu chegar para um familiar meu, meu pai por exemplo, e falar do futuro, após a morte dele, valha'me'teos! É uma barbaridade! Mandam logo a gente bater na boca, mudar de assunto, se calar!

Porque?! Ora bolas! Se existe uma certeza nesse mundo é que após a vida vem a morte! E pra muitos, o fantasma da morte rondando é um aviso de que a festa tem hora para terminar. Ué?! Não era melhor então aproveitar o tempo até o final?

Morte e religião

Os religiosos dizem que, no fundo no fundo, todo ateu crê em deus no leito de morte. Inclusive vivem inventando que ateus famosos antes de morrerem clamaram por Jesus ou coisas do tipo. Mas eu digo o contrário: Todo religioso, no fundo no fundo, crê no nada após a morte! Senão não teriam tanto medo dela!

Consigo até ampliar essa afirmação anterior: Todo ser vivo, no fundo no fundo, sabe que a morte é o fim! Quem vê o desespero de um gnu tentando salvar sua pele (thanks NatGeo!) entende o que falo. Já os seres humanos, dotados de razão e pensamento, se tocaram do que é o não-existir e, agoniados com o pensamento, trataram de se ludibriar com algo a mais! Mas... no fundo no fundo... você morre de medo de estar certo (ou errado) de que depois da vida vêm o nada!

Copo meio-cheio, meio-vazio

Imagine se agora, nesse momento, você fosse abençoado amaldiçoado com a visão da sua morte, com data e hora, e soubesse que está exatamente na metade da sua vida. O que você faria? Sentiria alívio? Ansiedade? Será que você ainda teria coragem de ter uma vida estática, melancólica? - Poxa... já passou metade! Acho melhor aproveitar! Infelizmente, provavelmente, a grande maioria iria ficar como os ciclopes, cabisbaixos, falando que já passou metade. É àquela mesma turma que quando chega julho, diz que o ano já acabou! (ah como eu tenho raiva disso!).

Encarar a morte

Para o ser humano ocidental padrão, encarar a morte é tão desagradável que ele prefere apagar ela completamente da mente e, de tempos em tempos, levar o tabefe dela ao ver familiares e amigos indo com o passar dos anos.

Acho um absurdo ver pais que escondem a morte de filhos, impedindo-os de irem a enterros ou substituindo animais de estimação imediatamente apos seus falecimentos. Isso é um erro grande! Afinal o ser humano precisa estar consciente do fim da vida para dar valor à esta. Ele precisará encarar situações de morte e o treino dessas emoções quando jovem é importante.

Somente assim talvez tenhamos o retorno do orgulho da morte, como na idade antiga e média, onde um ser humano pode pensar no mundo após sua passagem, e pensar orgulhosamente que mensagem ele quer que ecoe após seu perecimento.

Um comentário:

  1. Vc con(dis)corda que, de certa forma, todos os nossos medos remetem ao MEDO DA MORTE?
    Experimente aí... pense num medo seu... analise-o e tente enquadrá-lo numa "rede de porquês" aprofundante... a raiz dele bateu na "possibilidade da morte"?

    Então, se aceitarmos essa lógica, para eliminarmos esse drama, bastaria deixar de ter medo da morte?

    Se eu não me engano, o budismo trata melhor disso... Hehehe

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