segunda-feira, 5 de julho de 2010

O que é a sociedade da imagem?

Se você tem um telefone com super funções que você não usa, ou troca de celular todo o ano (ou de carro), ou conhece alguém que não paga condomínio mas todo ano viaja para a Europa, ou conhece adolescentes que estão no movimento emo ou idolatram artistas de cabelos perfeitamente despenteados, você está diante das consequências da sociedade da imagem.

A sociedade da imagem é uma consequência da sociedade de consumo imposta pelo capitalismo. O consumismo em seus primórdios separava os consumidores pelo poder aquisitivo de comprar um produto de qualidade. Ex: Se eu tinha mais dinheiro, poderia comprar um automóvel que não quebrasse, ou um serviço de maior eficácia. Com o passar do tempo, a qualidade se tornou commoditie, padrão. Não dá mais para ter um serviço sem qualidade. Então hoje se paga mais por um produto exclusivo.

Outro ponto a ser falado é que a tecnologia de produção está muito acessível, então quando um produto exclusivo é lançado, logo se têm o mercado pirata ou genérico, lançando um produto de similar qualidade por um preço comum, destransformando àquele produto em algo exclusivo. Dai se têm outro fato do mercado consumidor atual: Os produtos para serem exclusivos têm data de validade.

Um exemplo na tecnologia (porque não entendo muito de moda, onde isso é mais claro) são os telefones celulares versus telefones chineses. O telefone mais caro que conheço hoje é o Iphone 4 (2 câmeras, sensor de movimento, wi-fi, gps, 32Gb) que custa aqui em Bananalândia R$ 3.500,00 bananóvskys! Um similar chinês, chamado erroneamente de MP7... 8... 9... 11..., custa uma fração disso, e muitas vezes tem características muito bem vindas, como dual-chip. Mas a qualidade é muito pior, não? Bom, eles funcionam! Obviamente mexer num desses é horrível, mas de fato, eles funcionam!

A questão da validade também todo mundo conhece: Os produtos têm o que se chama de desgaste programado. Assim o fabricante pode prever quando os aparelhos serão trocados, podendo empurrar novas tecnologias, e evitando que um zé-doidin se mantenha com o produto por muito tempo. Em eletroeletrônicos e automóveis, a troca é estimulada após 2 ou 3 anos. Em produtos de informática, a troca é estimulada imediatamente (pela velocidade da evolução da área). Em produtos de moda, a troca é estimulada anualmente, com as novas coleções.

Marketing, Propaganda e Imagem

Marketing não é propaganda. Marketing é todo o movimento empresarial que faz a união entre a necessidade do cliente e o lucro da empresa. Então o marketing tem o trabalho de analisar demandas, pensar soluções, criar produtos e apresentá-los aos clientes. Essa apresentação, obviamente passa pela propaganda. De fato resolver problemas das pessoas parece algo bastante bacana. O problema é que para diferenciar, os departamentos de marketing estão cada vez mais criando necessidades novas, e estão bombardeando as pessoas com essas necessidades, bagunçando completamente as prioridades do cidadão comum.

Hoje o cidadão comum recebe da sociedade uma condição mínima para saciar a base da sua pirâmide de Maslow (necessidades fisiológicas como comida, água, sono, excreção, etc.) e é levado a mudar completamente a lógica racional do que seria saudável (ou inteligente) nas outras necessidades: São pessoas que invertem a necessidade de segurança com a necessidade de estima (por exemplo, ao não pagar um plano de saúde para pagar prestações de roupas de grife).

Seja amado: compre!

Como se já não bastassem tantos problemas criados por essa sociedade da imagem, o mecanismo capitalista ainda consegue retirar do ser humano sua única arma contra o sistema: A capacidade de questionamento! Uma mistura de marketing massivo, tabus religiosos, interesses dos detentores dos meios de produção e comunicação cria:
  • Adultos presos à rotina, sem necessidade tempo para parar para se questionar os mecanismos que os fazem trabalhar mais para ter mais dinheiro para comprar coisas para compensar todo o tempo gasto trabalhando.
  • Adolescentes tribais, procurando um rótulo para se identificar, sem se questionar as bases do que segue, caindo sozinhos no mercado consumista (já que todas as modinhas jovens da atualidade são táticas de marketing para atingir esse novo filão mercadológico - adolescentes).
  • Crianças consumistas de canais à cabo, brinquedos, roupas, sapatos, jóias, músicas e shows, muitas vezes atingidas por propagandas de produtos que não lhes são direcionadas (como Lady Gaga).
"O Crescimento econômico não gera paz na Terra, já que a estatística do lucro não leva em conta a miséria".

Um comentário:

  1. Adorei a sua explicação, simples e fácil de entender. Obrigada!

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