segunda-feira, 19 de julho de 2010

Qual o sentido da vida? Parte I

Transcrevo aqui uma série de posts do grande escritor Luis Fernando Veríssimo, postados no dia 19 de Julho de 2010 em seu perfil do twitter twitter.com/LuisFVerissimo que servem de reflexão sobre meu outro post sobre a morte.

#caminhos

O povo san, os primeiros habitantes do sul da África, acreditava que depois da morte o espírito humano se defrontava com quatro caminhos.
Três dos quatro caminhos eram estradas magníficas, com chão liso, sombrejadas por árvores altas, que levavam ao Inferno. O quarto caminho era uma estrada calcinada de pedras soltas que levava ao Paraíso.

O espírito precisava escolher, e a sua escolha não era entre o Inferno e o Céu, era entre o caminho e o destino. Andar por uma das três estradas largas e prazerosas engrandeceria o espírito, mesmo que levasse à perdição. Escolher o caminho mais difícil castigaria o espírito, mas o levaria à salvação.

O que era uma opção para os mortos era um enigma para os vivos: vale mais a viagem ou o seu fim? O que se aproveita da vida se ela for apenas uma provação para a alma?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O que é a sociedade da imagem?

Se você tem um telefone com super funções que você não usa, ou troca de celular todo o ano (ou de carro), ou conhece alguém que não paga condomínio mas todo ano viaja para a Europa, ou conhece adolescentes que estão no movimento emo ou idolatram artistas de cabelos perfeitamente despenteados, você está diante das consequências da sociedade da imagem.

A sociedade da imagem é uma consequência da sociedade de consumo imposta pelo capitalismo. O consumismo em seus primórdios separava os consumidores pelo poder aquisitivo de comprar um produto de qualidade. Ex: Se eu tinha mais dinheiro, poderia comprar um automóvel que não quebrasse, ou um serviço de maior eficácia. Com o passar do tempo, a qualidade se tornou commoditie, padrão. Não dá mais para ter um serviço sem qualidade. Então hoje se paga mais por um produto exclusivo.

Outro ponto a ser falado é que a tecnologia de produção está muito acessível, então quando um produto exclusivo é lançado, logo se têm o mercado pirata ou genérico, lançando um produto de similar qualidade por um preço comum, destransformando àquele produto em algo exclusivo. Dai se têm outro fato do mercado consumidor atual: Os produtos para serem exclusivos têm data de validade.

Um exemplo na tecnologia (porque não entendo muito de moda, onde isso é mais claro) são os telefones celulares versus telefones chineses. O telefone mais caro que conheço hoje é o Iphone 4 (2 câmeras, sensor de movimento, wi-fi, gps, 32Gb) que custa aqui em Bananalândia R$ 3.500,00 bananóvskys! Um similar chinês, chamado erroneamente de MP7... 8... 9... 11..., custa uma fração disso, e muitas vezes tem características muito bem vindas, como dual-chip. Mas a qualidade é muito pior, não? Bom, eles funcionam! Obviamente mexer num desses é horrível, mas de fato, eles funcionam!

A questão da validade também todo mundo conhece: Os produtos têm o que se chama de desgaste programado. Assim o fabricante pode prever quando os aparelhos serão trocados, podendo empurrar novas tecnologias, e evitando que um zé-doidin se mantenha com o produto por muito tempo. Em eletroeletrônicos e automóveis, a troca é estimulada após 2 ou 3 anos. Em produtos de informática, a troca é estimulada imediatamente (pela velocidade da evolução da área). Em produtos de moda, a troca é estimulada anualmente, com as novas coleções.

Marketing, Propaganda e Imagem

Marketing não é propaganda. Marketing é todo o movimento empresarial que faz a união entre a necessidade do cliente e o lucro da empresa. Então o marketing tem o trabalho de analisar demandas, pensar soluções, criar produtos e apresentá-los aos clientes. Essa apresentação, obviamente passa pela propaganda. De fato resolver problemas das pessoas parece algo bastante bacana. O problema é que para diferenciar, os departamentos de marketing estão cada vez mais criando necessidades novas, e estão bombardeando as pessoas com essas necessidades, bagunçando completamente as prioridades do cidadão comum.

Hoje o cidadão comum recebe da sociedade uma condição mínima para saciar a base da sua pirâmide de Maslow (necessidades fisiológicas como comida, água, sono, excreção, etc.) e é levado a mudar completamente a lógica racional do que seria saudável (ou inteligente) nas outras necessidades: São pessoas que invertem a necessidade de segurança com a necessidade de estima (por exemplo, ao não pagar um plano de saúde para pagar prestações de roupas de grife).

Seja amado: compre!

Como se já não bastassem tantos problemas criados por essa sociedade da imagem, o mecanismo capitalista ainda consegue retirar do ser humano sua única arma contra o sistema: A capacidade de questionamento! Uma mistura de marketing massivo, tabus religiosos, interesses dos detentores dos meios de produção e comunicação cria:
  • Adultos presos à rotina, sem necessidade tempo para parar para se questionar os mecanismos que os fazem trabalhar mais para ter mais dinheiro para comprar coisas para compensar todo o tempo gasto trabalhando.
  • Adolescentes tribais, procurando um rótulo para se identificar, sem se questionar as bases do que segue, caindo sozinhos no mercado consumista (já que todas as modinhas jovens da atualidade são táticas de marketing para atingir esse novo filão mercadológico - adolescentes).
  • Crianças consumistas de canais à cabo, brinquedos, roupas, sapatos, jóias, músicas e shows, muitas vezes atingidas por propagandas de produtos que não lhes são direcionadas (como Lady Gaga).
"O Crescimento econômico não gera paz na Terra, já que a estatística do lucro não leva em conta a miséria".

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Por que não nos preparamos para a morte?


Outro dia lembrei do filme do Conan (é o novo!) e da raça de ciclopes apresentada no filme. Os tais ciclopes tinham 2 olhos, mas fizeram um acordo com uma bruxa e trocaram um dos olhos pela possibilidade de ver o futuro. A bruxa os enganou e a única coisa no futuro que eles viam era a cena própria morte. Se tornaram assim um povo triste.

Hoje em dia estamos completamente despreparados para a morte. Morrer não é contemporâneo! Se eu chegar para um familiar meu, meu pai por exemplo, e falar do futuro, após a morte dele, valha'me'teos! É uma barbaridade! Mandam logo a gente bater na boca, mudar de assunto, se calar!

Porque?! Ora bolas! Se existe uma certeza nesse mundo é que após a vida vem a morte! E pra muitos, o fantasma da morte rondando é um aviso de que a festa tem hora para terminar. Ué?! Não era melhor então aproveitar o tempo até o final?

Morte e religião

Os religiosos dizem que, no fundo no fundo, todo ateu crê em deus no leito de morte. Inclusive vivem inventando que ateus famosos antes de morrerem clamaram por Jesus ou coisas do tipo. Mas eu digo o contrário: Todo religioso, no fundo no fundo, crê no nada após a morte! Senão não teriam tanto medo dela!

Consigo até ampliar essa afirmação anterior: Todo ser vivo, no fundo no fundo, sabe que a morte é o fim! Quem vê o desespero de um gnu tentando salvar sua pele (thanks NatGeo!) entende o que falo. Já os seres humanos, dotados de razão e pensamento, se tocaram do que é o não-existir e, agoniados com o pensamento, trataram de se ludibriar com algo a mais! Mas... no fundo no fundo... você morre de medo de estar certo (ou errado) de que depois da vida vêm o nada!

Copo meio-cheio, meio-vazio

Imagine se agora, nesse momento, você fosse abençoado amaldiçoado com a visão da sua morte, com data e hora, e soubesse que está exatamente na metade da sua vida. O que você faria? Sentiria alívio? Ansiedade? Será que você ainda teria coragem de ter uma vida estática, melancólica? - Poxa... já passou metade! Acho melhor aproveitar! Infelizmente, provavelmente, a grande maioria iria ficar como os ciclopes, cabisbaixos, falando que já passou metade. É àquela mesma turma que quando chega julho, diz que o ano já acabou! (ah como eu tenho raiva disso!).

Encarar a morte

Para o ser humano ocidental padrão, encarar a morte é tão desagradável que ele prefere apagar ela completamente da mente e, de tempos em tempos, levar o tabefe dela ao ver familiares e amigos indo com o passar dos anos.

Acho um absurdo ver pais que escondem a morte de filhos, impedindo-os de irem a enterros ou substituindo animais de estimação imediatamente apos seus falecimentos. Isso é um erro grande! Afinal o ser humano precisa estar consciente do fim da vida para dar valor à esta. Ele precisará encarar situações de morte e o treino dessas emoções quando jovem é importante.

Somente assim talvez tenhamos o retorno do orgulho da morte, como na idade antiga e média, onde um ser humano pode pensar no mundo após sua passagem, e pensar orgulhosamente que mensagem ele quer que ecoe após seu perecimento.