terça-feira, 1 de julho de 2014

Vivemos em uma simulação de fato!

Matrix, só uma ficção?
Estou completamente convencido de que vivemos em uma simulação computacional. Mais do que isso: Vivemos em uma das camadas dessa simulação, e prevejo que exista pelo menos mais uma além da nossa existência. Parece até uma discussão batida, tanto abordada ou questionada após o lançamento do filme Matrix (1999). Porém, como era de se esperar, não é tão simples quanto parece. Preparado para tomar a pílula vermelha?!

GATACA?!

O papo é mais biológico do que se espera, mas ainda assim estamos falando de um computador: O DNA. O DNA é, como já estudado por muitos, uma forma de armazenamento de dados, e suas estruturas de replicabilidade são similares a processos computacionais. Inclusive suas estruturas básicas, adenina, timina, guanina e citosina, apesar de serem 4, são ainda uma estrutura binária como a do computador (zeros e uns), pois elas obrigatoriamente só se encaixam nos pares A-C e G-T.
Antes de sermos seres vivos, somos a representação material do nosso código genético. Essa é a nossa camada de abstração, essa é a nossa Matrix! Somos, antes de mais nada, nossos genes. São eles que se reproduzem, que definem várias (não todas) características nossas. São eles que mandam na parada!
O que?! Isso é um absurdo! Desconsiderar o ambiente na formação do indivíduo é blá blá blá... etc... xingo muito no twiter...
Calma lá cara pálida. Eu não estou invalidando o ambiente e sua influência. Mas antes de você falar dos 20, 30 anos de ambiência que moldaram o ser que você é agora, eu preciso lhe falar que o DNA vem se adaptando ao ambiente há pelo menos 3600 milhões (eu disse MILHÕES) de anos. Esse constante ciclo  de mutação e replicação do mais apto foi o que construiu toda a biosfera do planeta (nosso mundo virtual!) e o que nos construiu atualmente como somos.
Quando você engorda demais por comer doce, quando você sente prazer em se deliciar com algo, quando você tosse ou sente a adrenalina de uma emoção forte, tudo isso são respostas do seu corpo ao ambiente, criadas pelos seus genes.

Genética e comportamento humano

Freud, dizem meus amigos psicólogos, afirmou que tudo é sexo (em um resumo que o faria revirar-se no túmulo, eu admito!). A libido seria nossa mola propulsora para tudo. Pois existe um outro livro que aborda exatamente essa questão do ponto de vista genético: O gene egoísta, do ultra super fantástico renomado Richard Dawkins. Nele temos que a instrução primordial do DNA é se reproduza! Ora ora seu Freud, quem diria!
O que o homem quer da vida? Sentir prazer? O prazer do sexo não preciso nem comentar, mas o prazer alimentar, por exemplo, deriva de que um ser bem alimentado é mais reprodutivo! Então quando você sente prazer ao comer um choquito, e seu corpo acumula gordura, a história genética da sua espécie diz que isso foi importante para que seus antepassados transassem mais! (Hoje esses pneuzinhos a mais não ajudam mais, mas é que na época das cavernas não tínhamos chocolate!)
Quando você busca conforto, do mesmo jeito: Um corpo descansado sempre foi mais vantajoso para a reprodução da espécie do que um calejado. A racionalidade, o reconhecimento de padrões, a linguagem, todas essas características que ganhamos com o passar da evolução estão aqui hoje por um só motivo: Elas nos ajudaram a fazer mais sexo. E é isso que está escrito no nosso DNA.
É por isso que, em parte, é muita pretensão mesmo do ser humano se chamar de racional. Se fossemos um bolo, teríamos um recheio de uns 100 mil anos de homem das cavernas, com uma camadinha fininha de 8 mil anos de civilidade. E muitas vezes essa cobertura é fina demais para segurar rompantes de violência ou de tesão sexual, ou mesmo de esperteza, características que se disseminaram (via DNA ou não) nas populações porque ajudaram a esses indivíduos a se reproduzir mais.

Camadas

Sim, estamos no mundo real, mas parte dos nossos comandos básicos, diria até os mais primitivos, vêm de outra camada de realidade, a do DNA. Essa é uma camada abaixo. E o que vemos agora é a descoberta de uma camada acima, a camada dos pensamentos e ideias.
PFFF... pronto, o papo virou esotérico!
Nesse mesmo livro do Gene Egoísta é citado um outro elemento que tem como característica básica a reprodução. É o Meme! O meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida. E o interessante é que cada vez mais esse mundo das ideias parece até autônomo do nosso mundo, como quando vemos que uma mesma ideia nasceu em datas similares em mais de um local, por exemplo.
Se considerarmos o mundo sub-atômico como mais uma camada, então temos:

  • O mundo sub-atômico, onde as leis da física não parecem obedecer a lógica, e coisas como tempo, espaço e possibilidades são infinitas. Dentro desse mundo de possibilidades criou-se o nosso universo físico. Nesse mundo físico desenvolveu-se o DNA.
  • O mundo do DNA: A estrutura básica da vida. É ela que dá as instruções básicas de como criar um ser vivo, e sua evolução criou uma infinidade de seres, todos com um propósito: Se reproduzir. 
  • O mundo dos seres vivos: Os seres existem e vivem suas vidas através do código do DNA. Criar uma ameba, uma girafa ou um ser humano é só uma das estratégias do DNA de ter um invólucro que lhe permita mais chances de reprodução. Dentro desse mundo de animais, temos o ser humano racional. 
  • O mundo das ideias: As ideias não tem matéria. Ou tem e ficam em uma dimensão inacessível ao ser humano. O mundo das ideias é alimentado pela mente dos seres humanos (por enquanto pelo que se sabe). É um mundo estranho,  onde as leis da física não parecem obedecer a lógica, e coisas como tempo, espaço e possibilidades são infinitas. 

sábado, 28 de junho de 2014

O desafio do professor em uma sala heterogênea

Toda sala é heterogênea nos conhecimentos, e isso é um grande desafio do professor. Os casos a se evitar são:

  • Dar vasão ao conhecimento dos mais interessados. São os alunos que puxam mais o professor que fazem isso acontecer. Se por um lado o professor se sente estimulado de estar pensando junto com o(s) aluno(s), tratando novas facetas ou aprofundamentos da aula, por outro deixa todo o resto da sala para trás, o que é péssimo pois aumenta ainda mais a diferença do que sabe mais para o que sabe menos. 
  • Nivelar por baixo e acompanhar de perto os mais desinteressados. Na tentativa de abarcar todos, sair fazendo revisão em cima de revisão, recapitulação de conteúdo, procurando atender os que estão mais fracos na matéria. Pode ajudar bastante a nivelar toda a turma, porém irá perder uma coisa chave na educação: O interesse do saber dos mais conectados com a aula. Perder essa fagulha pode apagar a chama pelo conhecimento para sempre naquele aluno interessado. 
Uma estratégia é unir os interessados, apoiá-los no tempo que der, e pedir o apoio deles para com os outros que estão ficando para trás. Algumas estratégias seriam:
  • Monitores: Alunos bons na matéria para tirar dúvidas de outros colegas. Já muito usado em salas de aula. Meus monitores de programação, em geral, eu nem mesmo pelo que façam seus códigos em sala, bastando apenas que eles tirem dúvidas e corrijam erros de outros alunos. 
  • Grupos heterogêneos para trabalhos: Ao propor trabalhos em grupo, sempre separar os grupos tentando equilibrar os melhores alunos com os mais fracos. Evitar àquele grupo dos crânios todos juntos!
  • Nota solidária: Se o aluno já tirou nota suficiente para passar, porque não pedir para que ele ajude outro que ainda está de recuperação no bimestre? O incentivo é mais nota: Peço para que o aluno voluntário ajude outro a melhorar a nota. Se o ajudado melhorar, o que ajudou recebe tantos pontos quanto o ajudado aumentou. Ex: O aluno reprovado com média 4,5, após a ajuda de um colega, subiu sua nota para 7,2. O aluno que ajudou recebe 2,7 pontos por ter se proposto ajudar o colega. Ganha quem ensinou, ganha quem aprendeu, e ganha o professor. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Arduino Day Fortaleza 2014

Arduino Day 2014O blog www.simiano.net junto com o recém-criado grupo Corisco Hackerspace Fortaleza anuncia que irá organizar o Arduino Day 2014 em Fortaleza - CE. Acesse nossa página no Facebook para novidades! https://www.facebook.com/arduinodayfortaleza !
No dia 29 de março de 2014, data de comemoração de 10 anos de Arduino, serão oferecidos:

  • Open-day Arduino - Exibição de placas, componentes e projetos com Arduino. 
  • Workshop Arduino para Crianças - Programando a placa Arduino utilizando o software gratuito Scratch for Arduino (S4A). 
  • Workshop projetando objetos inteligentes com Arduino - Lições básicas, uso de sensores e possibilidades com a placa Arduino. 
  • Encontro de formação do 1º Hackerspace de Fortaleza - Você gosta de desmontar coisas? Gostaria de participar de um grupo para criação e compartilhamento de informações hackers? Precisa de um local para trabalhar porque na sua casa já não cabe mais de tanto bregueço? Venha conversar conosco!
  • Lançamento do Marminino - O primeiro Arduino fork genuinamente cearense!
O evento ocorrerá na Universidade de Fortaleza - Unifor, das 8:00 às 16:00. Bloco e sala a confirmar. 
Maiores informações, falar com Daniel Chagas, pelo e-mail prof. daniel.chagas@gmail.com .

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Arduino Marminino (english)

To see this post in portuguese, click here.

arduino alternative
The marminino project is an arduino minimal, mounted in an very simple PCB, focused to be very simple to build, cheep, and easy to use. The marminino is an open hardware fork from the Nanino project, initially made by Johan von Konon, and updated by Brad Luyster.The project goals are:

  • Single side PCB, who can be made for beginners and still with great results (big traces, with big spaces between).
  • Minimal components, just the essencial. 
  • Some capacitors for a better battery powered experience.
  • Jumper for selectiong the power source (FTDI or Batteries).
  • Mounting holes attach a 4 AA battery support. 
  • Better led position.
  • New component organisation.
  • New switch position
  • Two new female bar pins for easy prototyping with or without mini breadboard.
  • Complete information about pins on silk screen.

The board was created using DipTrace software, who is freeely available for small projects. Here are the files:


Big traces with a lot of space, for easy etching
The list of components:
  • 1x single sided PCB board (etch, mill or order)
  • 1x ATmega328P (28 pin DIL)
  • 1x IC socket 28 pin DIL (optional)
  • 2x 6×1 0.1” female pin header
  • 2x 8×1 0.1” female pin header
  • 2x 5×1 0.1” female pin header (optional)
  • 1x 6×1 0.1” pin header (FTDI connector)
  • 1x 3×1 0.1” pin header (Power jumper)
  • 1x jumper
  • 1x 10k resistor (reset pull up – 1/4W)
  • 2x 1k resistor (power and pin 13 LED – 1/4W)
  • 1x yellow 3mm LED (pin 13)
  • 1x green 3mm LED (power)
  • 1x 16 MHz crystal (0.2” pitch)
  • 2x 22pF decoupling caps
  • 1x 6mm miniature switch (reset)
  • 3x 0.1uF decoupling cap 0.1/0.2”
  • 1x 1uF cap 0.1/0.2” (optional if not using batteries)
  • 1x AA battery support (optional if not using batteries) 

Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Escolas públicas alinhadas com o status quo

A escola pública, diferente do que se imagina por ai, ensina perfeitamente o que o aluno deve esperar do mundo lá fora. Há quem diga que a escola da vida é mais real. Mas esta última ainda nos enche de esperanças de um mundo melhor, enquanto a escola pública é palpavelmente realista com a realidade dos seus alunos.
O aluno de escola pública recebe a primeira lição no segundo que pisa pela primeira vez na escola, e nota que ela não é um local que lhe gere afeto. Nesse momento ele recebe a lição de que o que é público é menor, é mal cuidado e não merece respeito. Ora, este mesmo aluno já ouviu falar que se não passar de ano, vai para a escola pública. A lição sobre não cuidar do público continua, quando esse aluno vê depredação, mal uso ou negligência com os equipamentos da escola (carteiras, mesas, quadras, etc.). -Se pode-se quebrar carteiras na escola, pode-se quebrar cadeiras no estádio de futebol, né não?
Passeando pelas bibliotecas da escola, me deparei com um armário, acessível somente para professores cheio de materiais lacrados. Dentre vários volumes importantes, estava a coleção de DVDs completa da série Cosmos, de Carl Sagan (material incrível).  Ao perguntar sobre por que estava lacrado, recebo a informação de que se abrir, vai se perder! E isso vale com centenas de itens, estocados nos depósitos e salas de diretores, que são mais importantes existindo do que sendo úteis. O aluno, quando toma ciência desses materiais, aprende a lição que alguns objetos são mais importantes do que ele, e que a preservação inútil desses objetos garantirá uma melhor avaliação dos gestores da escola, ao invés da utilização e aproveitamento para ensino dos alunos. Não é novidade nas escolas estaduais encontrar computadores e notebooks estocados a mando da diretoria, ou mesmo por falta de quem tome conta! Na minha escola pus 9 notebooks para rodar depois de alguns deles passarem 4 anos dentro de um armário.
Em filas dentro da escola, é comum professores e coordenadores tomarem a frente dos alunos pois são mais atarefados e precisam economizar tempo. Nesse momento o aluno aprende que nem todos são iguais, e que no organograma escolar, os alunos não são prioridade. Essa lição ajuda os alunos a aceitarem o aperto, atrasos e desconforto no ônibus, por exemplo, enquanto são obrigados a assistir o conforto dos carros particulares pela janela.
A desorganização interna também é coisa comum. Seja na marcação e desmarcação de eventos, datas comemorativas, jogos ou qualquer coisa que interfira na vida escolar do aluno, seja na mudança de regras durante eventos, apresentações ou mesmo entre professores e formas de avaliação. A lição aprendida é que as regras mudam, sem porquês nem explicações. Reclamar, questionar ou não acatar só irá prejudicar ainda mais sua vida. É essa regra que cria o gado humano, manobrável e dócil, o mesmo que quando vai num posto de saúde, recebe de orelhas baixas a ordem de que não é ali que ele tem que ir, e sim em um local distante, pouco acessível, e ainda assim sem garantias de que vai encontrar o que procura.
Quando ocorrem furtos dentro da escola, a única punição vista é a do próprio dono do objeto perdido. A diretoria é taxativa em informar que a culpa é do dono do objeto, e sua omissão não é responsabilidade da escola. Quer dizer, o aluno aprende que o ambiente escolar é uma selva, e que ele não deve se enganar pelo sorriso de seus colegas. Eles sorriem somente enquanto não podem tirar vantagem de você. O mesmo vale para o mundo: Seja esperto! Faça com os outros primeiro o que não queria que fizessem com você. É a perpetuação da lei de Gerson, tão danosa para o Brasil.
Respeito ao diferente é algo lindo, mas somente no papel. As inúmeras referências ao cristianismo e aos evangélicos, culminando com aulas que iniciam e terminam com orações, mostra ao aluno que devemos respeitar os outros, desde que eles não sejam muito diferentes de nós. Insinuações sobre outras religiões, principalmente africanas, devem ser evitadas ou feitas pisando em ovos. Afirmar ou incitar o ateísmo é motivo para, no mínimo, maus olhos da direção.
Homossexualismo é tabu e não é. Todo mundo vê, todo mundo sabe, mas não pode falar. Na hora da raiva, o professor pode chamar um aluno de viadinho, desde que esteja protegido na sala dos professores. O comentário é, em geral, recebido com risadas dos seus pares. "Não há" professores homossexuais, porque "obviamente" se afirmar gay é se diminuir. Essa é a lição que fica.
Bons alunos só se esforçam no primeiro semestre. Como no ano anterior esse bom aluno viu colegas dele passando de ano facilmente, ele entende que se esforçar demais é bobagem. Fazer o mínimo para passar está de bom tamanho. Besta é quem se esgoela por algo. É uma meritocracia as avessas, mais uma vez reforçando a atitude de gado humano, pronto para ser tangido por quem vai abate-lo mais tarde.